
Cambalhota
Ela virou meu mundo e me fez dá voltas no ar
Retorceu em algum momento a minha lógica
Fez tremer alicerces que eu sempre me apoiei
E como um menino que sempre fui me assustei
Deslocou minha razão que sempre foi perfeita
E fez no meu peito acelerar de novo o coração
Instintos de criança voltaram e fiquei sem norte
E desta vez ao invés de mandar fui conquistado
Talvez sejam os olhos que não tremem ao me olhar
Ou sua boca carnuda que me escraviza ao me beijar
Quem sabe o cheiro que invade a minha respiração
Ou sua cor que enfeitiça meus olhos já apaixonados
Consigo relembrar a primeira vez que eu a desejei
Descrever os beijos arrancados naquela madrugada
Relatar o contorno de seu corpo deitado na cama
Imaginar o toque mais forte e o gemido no ouvido
A tentação que palpitava e mãos que queriam voar
O gosto da boca molhada entre carícias de loucura
Naquela noite ela foi minha sede e hoje estou preso
Pois em seus carinhos e vontades sempre me perco
Ela se faz presente em um lugar que estava sem vida
Traz no sorriso o jeito de menina que me faz sonhar
Em suas palavras consigo remontar sonhos perdidos
De um tempo onde podia ser eu mesmo sem medo
Assim ela me faz refém em um cárcere sem grades
Decifra minhas tentações sem que forneça as pistas
Constrói em detalhes sonhos de um tempo esperado
Onde duas pessoas se encontram e fazem uma vida.












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