Joffre

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


22/04/2008


Palavras

 


Palavras



De olhos fechados saio do meu corpo e viajo sem destino
Começo voando entre os escombros de minhas fantasias
Sigo por um céu que esconde o azul que tanto me fascina
Entre o silêncio e as dúvidas do meu coração eu continuo


O caminho não está claro como eu imaginava na infância
As curvas não possuem setas que mostram a melhor rota
Como acontece nos contos de fada surge algum labirinto
Nestas horas o medo consegue fazer o corpo estremecer


Não há volta quando o pensamento segue sem a estrada
As palavras ficam atentas à cumplicidade de meu desejo
A boca começa a salivar e os olhos ficam fixos na cobiça
Quando inicio minha viagem saio sem hora para retornar


Passo por entre sonho e vontade que me deixa sem crer
Reconheço lugares que só meus pensamentos recordam
Sou levado por algum tipo de instinto que não sei revelar
Mas como se fosse uma droga é o que me traz liberdade


Posso sair do chão sem ter as asas para voar sem limite
Achar o santuário longe de qualquer solidão ou desprezo
Ir para algum local sagrado que me permita sentir a Deus
Encontrar a força que faz transbordar esperança no olhar


No instante que fecho meus olhos sinto um poder na pele
Espontaneamente é desfeita qualquer angústia existente
Deixo de ter receio do abandono ou da saudade sem fim
E minha vida passar a ter uma ausência da ambigüidade


Nos meus sonhos caminho sem ter horário para cumprir
As brechas do horizonte são preenchidas pela plenitude
Tenho um traço diferente que marca meu corpo perdido
Não possuo algemas que prendem as minhas vontades


Mas talvez a parte que deixa intenso o meu olhar seja ela
Aquela que encontro sozinho sempre que fecho os olhos
Em meus pensamentos cúmplices que estimulam o amar
Naquelas noites que procuro sua ternura na minha cama


Recordo de sua boca macia que trazia um sabor gostoso
Do corpo sagaz que tinha nas curvas o toque de capricho
Ganhando a minha intimidade em qualquer circunstância
E fazendo de mim um escravo nas vezes que lhe possuía.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h52
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04/04/2008


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É

 


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É



Suas lembranças ela coloca no papel de madrugada
Escreve como uma analista que codifica as pessoas
Na sua cama cadernos estão espalhados sem ordem
E no meio daquele caos ela encontra seu aconchego


Parece alguma menina que roubava livros na infância
Com traços de inocência em sua face que traz sorrisos
Seduzindo através da arte de sua revolta sem receios
E de palavras desmedidas que motivam quem a ouve


Tem no sangue a idéia de moldar casas em castelos
De compor sobre um teto cheio de vestígios antigos
Esculpindo em sua pele o desenho que mais deseja
E viajando entre nuvens que revelam seus segredos


Guarda dentro do seu íntimo uma dor sem tamanho
Que deixa a dúvida em alguns momentos de solidão
Mas através de palavras corajosas reage sem medo
Quando a vida põe na sua história testes de decisão


Costuma admirar a lua em suas noites de inspiração
Atrás de mudanças que somente ela consegue saber
Procura nas estrelas a paz que ilumina a sua mente
Transformando em sentimento o que eu não entendo


A sua natureza não é revelada apenas por um olhar
É necessário conhecer as manias e seus caprichos
Para que aos poucos seja revelada uma nova parte
E como um labirinto possa ser compreendido o todo


Possui na pele o cheiro que retira minha respiração
Faz minha imaginação viajar por lugares sem rumo
Eu me sinto perdido entre suas vontades e desejos
Sou o refém quando ela me quer nas suas loucuras


Mas o que realmente me encanta são suas fantasias
Com os rabiscos que unificam escolhas e promessas
Utilizando máscaras para compor sua personalidade
Deixando o ar de mistério que consome quem a quer.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h03
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02/04/2008


Metas

 


Metas



Quando o resultado não é o desejado
No segundo antes de terminar o prazo
Durante o último suspiro da palavra final
Naquelas horas que não adianta mais tentar


Quando o corpo quer se entregar sem lutar
No segundo em que as forças se dissipam
Durante a respiração ofegante de receio
Naquelas horas que o esforço foi insuficiente


Quando a mente fica sem segundas opções
No segundo que a estratégia foi ineficaz
Durante a conversa com segunda intenção
Naquelas horas em que não há mais saída


Quando a mão fica trêmula sem controle
No segundo que o suor fica mais evidente
Durante a luta por um espaço imaginário
Naquelas horas que o acordo é impossível


Quando os olhos ficam sem o brilho especial
No segundo que as lágrimas querem cair
Durante as frases marcadas anteriormente
Naquelas horas que o tempo não passa


Quando os plurais não significam mais nada
No segundo que os sentidos são escassos
Durante a discussão com palavras mordazes
Naquelas horas que as idéias são traiçoeiras


Quando as pernas tremem e não reagem
No segundo que a voz falha com raiva
Durante as palavras mal compreendidas
Naquelas horas em que tudo dá errado


Quando as dificuldades surgem do nada
No segundo que soluções são esquecidas
Durante dias que não se pode ver o céu
Naquelas horas que manhã é madrugada


Quando não há mais esconderijo seguro
No segundo que os sonhos são desfeitos
Durante a noite sem as estrelas no céu
Naquelas horas que tudo parece sumir


Quando a vida teima e temos que mudar
No segundo que nossa história é testada
Durante as dificuldades que vencemos
Naquelas horas é que podemos crescer.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h34
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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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