Joffre

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


29/02/2008


Para Ser Minha

 


Para Ser Minha



Para ser minha basta me olhar nos olhos
Fazer meu corpo tremer como um terremoto
Sorrir quando a brisa sussurrar ao seu ouvido
Ouvir a música que faz o corpo estremecer


Declamar palavras que me fazem imaginar
Contar uma história sem começo nem fim
Ouvir meus contos infantis e sorrir do nada
Passar o tempo sem se preocupar com hora


Para seguir comigo basta sonhar alto sem medo
Correr no meio da escuridão sem nenhum receio
Abrir os braços quando a chuva cair sem piedade
Entregar o corpo quando a ventania soprar forte


Guiar sem medo de uma curva sem proteção
Caminhar de pés descalços entre as pedras
Ser a pura simplicidade quando for louvada
Sonhar sem aquele medo de ser rejeitada


Para ser minha inspiração basta seguir em frente
Quando tudo ao seu redor parece desmoronar
Nos instantes que a vida teima em fazer testes
Naqueles momentos em que desistir é mais fácil


Crer nas madrugadas que o sonho é pesadelo
Acordar sabendo que o sol irá dissipar o medo
Sorrir para alguém sozinho no meio da multidão
Olhar nos olhos quando escutar com o coração


Para dormir na minha cama basta não ter limites
Saber que o dia pode ser transformado em noite
Que o chão às vezes é a melhor cama concebida
E que a imaginação é o que provoca uma relação


Entender que as palavras fazem o corpo balançar
Que pecado é deixar de sentir o que lhe dá prazer
Abrir o horizonte para novas fantasias imaginadas
Cativando a tentação e o desejo como comunhão


Para completar minha vida basta ser você mesma
Sorrir quando sua vontade estiver transbordando
Ser leve como uma folha levada pelo vento solto
Admirar o som do silêncio que nos deixa íntimos


Sonhar como uma criança sem barreiras impostas
Ter no olhar a crença que a verdade sempre vence
Compreender que destino é o que guia minha história
Acreditar que nesta vida você nasceu para ser minha.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h19
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22/02/2008


Além do Horizonte

 


Além do Horizonte



As nuvens agora estão se dissipando
O sol volta a surgir com traços tímidos
Com um ar de ressaca de uma longa noite
Como se tivesse ficado muito tempo quieto


O horizonte estava coberto pela dúvida constante
Ela continua presente mas sua força está dispersa
Corre sem direção certa e tenta encontrar uma falha
Mas a cada novo passo as brechas vão se fechando


Meus pensamentos agora puxam meu corpo inerte
Sussurrando palavras ao meu ouvido que motivam
As minhas pernas são obrigadas a seguir em frente
Carregando apenas o brilho íntimo de meus olhos


Depois de um tempo sem luz chega à hora de brilhar
Os raios do sol atingem minha face branca pelo tempo
Trazendo a cor que mostra o sabor de uma nova vida
Transformando em paisagem aquilo que era entulho


Os fragmentos que foram deixados pelo caminho
Agora não são mais essenciais na minha história
E no sorriso que brota dentro de um ponto mágico
Busco a verdade escondida por minha fragilidade


A estrada não pode ser perfeita em seu trajeto
Os buracos e as pedras devem estar presentes
Para que o corpo trabalhe e nossa mente viaje
Traduzindo em instinto o que nos traz mais força


Depois de um tempo a tempestade tem que terminar
Os raios vão sumindo e os clarões perdendo a raiva
A escuridão que cobria o céu durante o dia e a noite
Deixa a luz passar por fendas que rasgam o espaço


E nas frestas que se abrem no céu antes sem cor
Consigo encontrar caminhos que me fazem flutuar
Deixando transbordar da pele meus antigos desejos
Que me inspiram a olhar mais firme além do horizonte.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h50
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13/02/2008


Sem Norte

 


Sem Norte



Eu estou me sentindo perdido
Não encontro a direção certa
Caminho em terreno instável
E não vejo mais o horizonte


Os dias passam sem novidade
As horas me aprisionam em um ciclo
Fico rodando em uma confusão interna
Que não consigo encontrar a saída


Os pensamentos divagam em sonhos
Mas algo aqui dentro me deixa pesado
Alguma coisa tira minhas forças
E não consigo fugir da triste rotina


Penso em viagens que nunca fiz
Imagino o clima de outra região
Embarco em imagens de um futuro
Mas não me liberto de minha casa


Recorro a ligações sem importância
Ouvindo vozes que me amedrontam
Sinto o calafrio me corrompendo
E continuo andando sem sentido


Durante a noite o sono não chega
E nas madrugadas em branco
Estruturo mil planos sem noção
Que acabam me prendendo mais


Busco uma mão que me erga
Ou alguma luz que seja meu norte
Mas algo traz uma escuridão sem fim
Fazendo de mim apenas um grão isolado


Fecho os olhos e respiro para ter calma
Coloco meu coração em outras mãos
Entrego meu corpo a outras pessoas
Mas depois do prazer volta minha sina


Meus dias estão cercados por dúvidas
Sei o que desejo mas desconheço a estrada
Caminho sozinho sem conhecer os perigos
Sendo escravo do tempo que me persegue


Procuro o meu norte seguindo para sul
As nuvens cobrem o sol que me orientava
Uma chuva cai me deixando sem a visão
Mas ainda sigo atrás de uma estrela no céu.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h04
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08/02/2008


Casa Nova

 


Casa Nova



Eu a trouxe de olhos vendados por um novo caminho
As ruas não eram mais barulhentas como antes
O aroma que circulava era diferente
Ela logo notou embora permanecesse calada


Após algum tempo de espera chegamos
Desceu do carro e caminhou devagar
Ela tirou os sapatos para poder sentir o chão
Mas preferiu não ver nada até chegar à hora


Os seus passos eram curtos e vagarosos
Com um sorriso que tocava meu corpo como o vento
Eu a seguia de longe em silêncio apenas admirando
Foi a cena mais brilhante que vi nos últimos tempos


Quando chegou ao primeiro degrau da porta
Eu a segurei com carinho em meus braços
Liberei com delicadeza sua visão
E nossos olhos se perderam entre lágrimas


Quando ela abriu a porta reconheceu os móveis
Eram os mesmos que me confessou que desejava
Gravei em minha mente seus sonhos juvenis
Cada pedaço que ela me contou eu encontrei


Caminhou entre os vários cômodos
Passou rápido em alguns
Demorou em outros sem explicação
Cada passo era uma nova descoberta


Ao final de seu passeio de menina curiosa
Veio me abraçar como se quisesse me sufocar
Minha vontade naquele instante foi perder o ar
E congelar aquele momento em minha lembrança


Fomos aos poucos nos conhecendo de novo
O beijo se tornando ardente no início da noite
Minhas mãos deslizando por suas costas nuas
Minha boca redescobrindo o corpo adormecido


O toque suave se transformando em confidente
A respiração ficando ofegante entre os gemidos
O ar de prazer marcando as paredes imóveis
Finalizado em um último suspiro de desejo


Aquele foi o momento de minha mudança
Entre coisas de crianças e confissões de adultos
Em uma casa nova construí minha única vida
Ao lado de quem desejei em meus dias de sonho.

Escrito por Joffre Cardoso às 04h21
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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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