Joffre

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


28/01/2008


Vento

 


Vento



O vento ainda continua parado
A minha vida presa no passado
Atrás de promessas obscuras
Fiquei vendo o tempo passar


Corria tentando encontrar algo
Por vezes simplesmente sorria
Sem aceitar o que me agredia
Fiquei vendo o tempo passar


Meu corpo permaneceu inerte
A mente presa na alma parada
Criei raízes em um solo infértil
Fiquei vendo o tempo passar


A tempestade levou os sonhos
A areia cobriu a antiga estrada
O que me fez andar sem rumo
Fiquei vendo o tempo passar


Minha verdade era a fantasia
Que criei na minha esperança
Imaginando um sonho perfeito
Fiquei vendo o tempo passar


Em algum momento perdido
Miragem e verdade se uniram
Acreditava no que não existia
Fiquei vendo o tempo passar


Meus olhos estavam fechados
E a escuridão trouxe um mundo
Perfeito na sua pura incerteza
Fiquei vendo o tempo passar


Deixei de sentir o calor ardente
O corpo foi esfriando lentamente
Um labirinto se formou em mim
Fiquei vendo o tempo passar


Mas aquele vento há de voltar
Para purificar meu pensamento
Fazer com que eu veja as estrelas
E não fique vendo o tempo passar.

Escrito por Joffre Cardoso às 05h57
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21/01/2008


Dias

 


Dias



Os dias ficam mais lentos que o de costume
A rotina parece mais mordaz a cada segundo
Quando a espera me caça eu não escapo
Fico imóvel e o tempo parece retroceder


Faço jogo de palavras e invento histórias
Mas a hora não passa parece contrair
Uma prisão se forma ao meu redor
E a única coisa que posso fazer é esperar


Minhas asas imaginárias estão presas
Algo me segura no chão e não posso voar
Embora minha vontade seja sair da atmosfera
Permaneço amordaçado esperando o sinal


O sangue circula com uma maior pressão
Minhas contrações e espasmos são sem ritmo
Entre a espera e a partida fico cercado
E conto os dias para ter a resposta certa


Sei os segundos que ainda me faltam
As noites que ainda preciso dormir
Os dias que tenho que aguardar
Mas só olho para a hora que espero


Lembro de alguns momentos que vivi
Das partes que a dificuldade me dominou
Daquelas manhãs que levantei sem vontade
Mas isso caminha para um passado distante


A tempestade está próxima do final
As rajadas e trovões estão mais calmos
Posso olhar ao longe o céu azul sem nuvens
Mas a espera continua mantendo minha inquietude


Consigo sentir o cheiro da recompensa
Quase posso tocar a face de minha felicidade
Sinto os calafrios e arrepios da ansiedade
Minha mente viaja mas o corpo permanece parado


Sou o escravo de meus dias de espera
A liberdade ainda é um sonho possível
Mas vivo as horas que tenho que aguardar
Esperando o momento certo para poder voar.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h31
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17/01/2008


Perdido no Mar

 


Perdido no Mar



Quando o último raio de sol partiu
No momento que a lua surgiu longe de mim
Meu corpo seguiu sem destino certo
Fui levado por algum instinto insensível


Jogado distante de meu porto seguro
Arremessado em um lugar que não conhecia
Minhas pernas tomaram as rédeas
E meu caminho só podia seguir para o mar


O som da água sob o areia fina me atraía
Sentia a maresia que me desgastava
Meus pés tocaram aquela terra fria
E lembrei de meu primeiro mergulho


As lembranças voavam por minha mente
Era lançado por cenas imaginárias
Passando por fotografias que não lembrava
Saboreando o tempero perdido no tempo


Eu continuei seguindo aquela vontade
Que dominava minhas outras necessidades
Quando a água inundou meus dedos
Uma paz começou a invadir meu ser


Fechei os olhos e caminhei lentamente
A cada pequeno passo uma nova lembrança
Do tempo que não possuía medo de nada
Da época em que o escuro não me assombrava


Quando o mar cobriu meu peito fiquei sem ação
Meus braços estavam soltos como se pudesse voar
O peso que carregava foi dissolvido na maré
A sensação que me segurava eu não entendia


Fui transformado em uma ilha deserta
Cercado de água longe da terra firme
Mas aquela solidão foi a sorte de minha história
Pois somente perdido no mar consegui me encontrar.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h11
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15/01/2008


Apenas Para Tentar Compreender

 


Apenas Para Tentar Compreender



Então o desejo acabou
O sonho foi desfeito
A paixão esquecida
O mundo perdido
E a vontade saciada


Então as direções mudaram
A esperança se desfez
A união foi corrompida
E a verdade amordaçada


Então tudo que era destino
Foi tido como imperfeito
E os traços e caminhos
Que já estavam traçados
Hoje estão inundados


A noite não é mais a mesma
Os pesadelos são constantes
As nossas bocas agora são mudas
E nossos sentimentos são desfeitos
Assim como sempre deveria ter sido


Então a dúvida acabou e você fraqueja
Eu pensei que fosse tudo e que o passado
Havia sido esquecido e enterrado
Mas a areia se move e o ferimento
Volta a se abrir como era antes


Não há espaço para o depois
Apenas para o que veio antes
E todo o esforço foi desnecessário
Se a única coisa que pode existir
É um outro sentimento em sua vida


Meu talento desprezado
Minhas tolices confirmadas
Das verdades que acreditei
Apenas a necessidade da mentira
Apenas o descaso do perecível


O sonho não foi longe
Foi fiél enquanto pôde
E o passado volta a se repetir
A verdade fica trêmula
E a esperança é derrotada


A vontade por mim foi insuficiente
E minha lealdade ausente
Ausência que causa dor
Mas que supre a virtude da verdade
E mesmo que esta verdade seja triste
É a única que pode construir meu mundo


E desta forma acaba o conto da princesa e do poeta
O poeta sonhador e sua princesa humana e realista
Um poeta que ousou demais para ter a certeza
E foi infantil demais para acreditar que os sonhos
Um dia ainda podem ser possíveis e realizáveis


Mas as lágrimas não foram solitárias
Por momentos acreditaram que tudo estava certo
E mais uma vez como nos contos infantis
Chega a surpresa e acaba com a história


Espero que assim o final tenha sido feliz
E que não existam mais histórias como esta
Para que as crianças que a ouvirem
Não fiquem tristes como o poeta ficou.

Escrito por Joffre Cardoso às 21h49
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04/01/2008


Divisão

 


Divisão



Tem dias que acordo e o corpo teima em ficar quieto
Parece que o sangue não quer mais circular pelas veias
As artérias param de pulsar como se ainda tivesse dormindo
Não sinto os raios da manhã que tocam o meu rosto estarrecido


Não recordo os detalhes da noite passada em branco
Mas sei que devo ter pronunciado alguma palavra sem nexo
Pois quando olho para o lado só vejo seu corpo distante do meu
Como se procurasse uma saída inexistente na minha cama pequena


Fecho os olhos e tento lembrar como cheguei em casa
Respiro profundamente para sentir o cheiro que me cerca
Mas a lembrança insiste em ficar escondida em alguma parte
Talvez você possa me ajudar quando o cansaço lhe deixar acordar


Permaneço dividido entre os meus pecados e você
Preso em algum labirinto que não consigo achar a saída
Fico circulando durante a noite buscando alguma fenda perdida
Mas quando chega a madrugada acabo dormindo sem uma resposta


Sua presença é um marco indecifrável no momento
Que transcorre do riso para o choro em poucos instantes
Sufocando sentidos que trago escondidos no meu pensamento
Quebrando parte de minhas asas e me deixando acorrentado no chão


Não sou alguém que vive com os pés em terra firme
O céu me convida para meus sonhos que só eu entendo
Estou amarrado em algo maior do que eu mesmo posso saber
Então não use palavras simples para tentar explicar os meus defeitos


Quando chego em casa e lhe encontro ganho o dia
Nos segundos que vejo seu corpo desnudo tenho a vida
Mas nas horas em que você simplesmente permanece ausente
Eu não busco razões para lhe afastar e encontro frases para lhe buscar


Pare de usar as palavras certas nas horas erradas
Prefira saber as coisas erradas em algum momento certo
Esqueça os dias que não lembro as datas que nos marcaram
Tente achar boas lembranças toda vez que você quiser nossa divisão.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h03
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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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