Joffre

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


28/12/2007


Cadeira de Balanço

 


Cadeira de Balanço



Quando a vi sentada em sua cadeira
Não pude tirar meus olhos do seu semblante
Seu olhar estava fixo no horizonte
Parecendo buscar algo que lembrasse o passado


Sua pele não era mais como antes
As marcas que deixavam amostra seus anos
Eram traços profundos que denotavam caminhos intensos
Que podiam demarcar cada ano vivido


Em algum momento nossos olhos se cruzaram
Senti algo percorrer meu corpo inteiro
Como se tivesse tentando me falar algo em silêncio
Mas não consegui entender o que era


Com uma voz doce perguntou meu nome
Quase sem ação respondi com uma palavra
Fiquei perdido quando ela me olhou
E não conseguia falar nada mais


Pensei em seus anos de juventude
Onde a memória ainda não tinha sido consumida
Imaginei o tempo de moça sem os filhos
Sem o ar pesado que agora inclinava seus  ombros


Viajei para o passado em minha mente
Como era o desenho que marcava seu corpo
Quando foi roubado seu primeiro beijo e abraço
Em que dia ela deixou de ser menina e se tornou mulher


As perguntas surgiam sem que eu pudesse responder
Se conseguisse perguntar eu faria sem pensar
Mas naqueles segundos eu perdi minha coragem
As palavras que dançavam através de mim sumiram


Não sei o que me deixou preso naquele dia
Mas quando vi aquela senhora em frente a sua porta
Com seus embalos em sua antiga cadeira de balanço
Fui hipnotizado pelo passado e recordações


A memória trouxe a minha infância perdida
Onde a inocência era algo que todos possuíam
Eu olhava para uma mulher sem segundas intenções
E trazia no peito apenas meus pensamentos tímidos.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h44
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24/12/2007


Natalina

 


Natalina



Quero ganhar um presente que se chame Natalina
Conhecer suas manias e desvendar suas histórias
Ter mais do que uma simples noite para conversar
Poder tocar o rosto e sentir o cheiro quando quiser


Apreciar a beleza que se forma no mês dezembro
Emoldurar sua imagem sobre uma forma de canto
Sentir sua ternura em algum local de pura mágica
Ruborizar seu rosto quando meu olhar a perseguir


Mas não quero que fique embaixo da minha cama
Não precisa chegar devagar e entrar pela chaminé
O que peço é que preencha o vazio que me enche
Que traga novas curvas para eu descobrir sozinho


Não é necessário que venha em papel de presente
Ou arrumada em um belo laço de fita cor vermelha
Os enfeites e caixa dourada podem estar ausentes
Mas o conteúdo tem que me deixar sem respiração


Desejo que o perfume preencha os meus sentidos
Que a tonalidade da pele me faça sentir falta de ar
Fazendo com que meus instintos sejam aguçados
Toda vez que meus olhos cruzarem pelo seu olhar


Quero receber uma luz que tenha forma de mulher
Com pernas que passem e me deixem embriagado
Exalando a sensualidade ao balançar o seu cabelo
Com o carisma que satisfaz após o simples sorriso


Imagino uma boca carnuda com o sabor indecente
Onde a comunhão com sua face é mera obrigação
O busto ultrapassando as arestas dos meus dedos
Incitando alguma miragem com a mulher desejada


O seu corpo esculpido por algum artista imaginário
Foi inspirado em uma de minhas fantasias secretas
Com os detalhes que desvendam os meus desejos
Criando em mim uma dependência clara e imediata


Mas a sua beleza interior é seu verdadeiro segredo
Com um brilho que se instala no seu rosto angelical
Unindo nesta mulher um gosto de amor e de desejo
Essa mulher é o presente que eu quero neste Natal.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h37
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22/12/2007


Mentiras

 


Mentiras



Que palavras são estas que saem de sua boca e me ferem
Parece uma arma que me agride e me deixa sem defesa
Fico acuado no canto como se fosse o único culpado
Mas em meu íntimo eu sei da minha inocência


Que fúria é esta que sai de seu olhar que antes me acalmava
Agora insiste em sufocar minhas palavras de liberdade
Fazendo silenciar meu grito de ausência de pecado
Expulsando de você algo que pensava não ter


Que ânsia é esta que esconde seus carinhos mais íntimos
Usando frases para agredir minha face sem mágoa
Esquecendo os detalhes que nos aproximaram
Criando barreiras entre nossos sentimentos


Que murmúrios são estes que dominam seus pensamentos
Provocando idéias que têm a missão de me entristecer
Descartando minhas explicações verdadeiras
Inventando formas de me envenenar


Que instinto é este que agora domina as suas vontades
Transpirando uma cólera que antes eu não conhecia
Desencadeando suas perguntas sem sentido
Incentivando as dúvidas que me cansam


Que saudades do tempo que não existia a desconfiança
Onde as lágrimas eram de alegria e não de tristeza
Eu tinha você nos meus delírios de infância
E usava seu corpo para adormecer


Que vontade de desfrutar o passado mais uma madrugada
Trafegar por suas ruas que somente eu conhecia
Parar em algum ponto secreto de seu corpo
Mergulhar mais uma vez no seu sabor


Que desejo que tudo não passasse de uma tempestade
As mentiras fossem as nuvens carregadas no céu
E o vento pudesse dissipar esta mágoa
Com a sua força e simplicidade


Que vontade de dormir e acordar em um futuro distante
Onde eu pudesse compreender o meu presente
Encontrar o sentido da nossa relação
E manter minha fé em você.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h25
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20/12/2007


Nós Dois


Nós Dois



Gosto quando minha carne começa a tremer
Quando meu corpo não consegue se conter
Eu espero até que o cheiro penetre no lugar
Não descanso enquanto eu consigo respirar


Eu não me contento apenas com uma parte
Desejo mais do que aquilo que tenho direito
Sou indiscreto e tenho a gula como segredo
Quando o assunto é você exijo por completo


Não consigo esconder no peito a inquietude
Tenho que lhe olhar e comprovar que é real
Fico esperando a hora exata para poder ter
E quando eu a tenho não consigo me conter


Não guardo na intimidade a minha excitação
Nem deixo para as quatro paredes a relação
Espero mais do que apenas prazer na cama
Com você eu busco uma entrega sem limites


Não procuro uma relação que dure por anos
Mas uma que mude meu ano com uma noite
Alguma que transforme a hora em milésimos
Que acione dentro de mim algum sentimento


Eu caminho e provo novos sabores até achar
Algum que agrade e convença e me faça crer
Que não existe nenhuma melhor do que você
Quando não encontro corro para seus braços


Fico como um refugiado que não pode andar
Escondo meu fracasso e a busca sem noção
Entrego minhas vontades perdidas para você
E mais uma vez meu corpo começa a tremer


Este é o instante que lhe tenho sem restrição
Onde eu não escondo o que realmente quero
Nem você nega os seus verdadeiros desejos
Nesta hora passamos a ser somente nós dois.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h25
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11/12/2007


Ansiedade

 


Ansiedade



Que sensação é esta que me persegue e deixa sem ar
Causa em mim um estrago que se reflete no meu olhar
Deixa as mãos trêmulas como se fosse um dependente
Não estou preso mas meu corpo necessita de liberdade


Minha mente viaja por caminhos sem ter como retornar
É uma rota sem volta que eu percorro sem sair do lugar
Por mais distante que tente chegar não consigo lembrar
Qual a estrada certa que preciso achar para me libertar


Que mal é este que deixa as minhas idéias sem direção
Transforma minha imaginação em algo simples e errado
Não me deixa alternativas para escrever ou comemorar
Colocando grades nas palavras que antes eu inventava


Circulo ao redor de pontos buscando algo que me atraia
Mas se não controlo meus pensamentos eles se perdem
Fico sem saber onde estou mesmo que eu esteja parado
A sensação de incapacidade me invade e fico sem ação


A ânsia é algo que contamina meu corpo sem perguntar
Percorre minha pele e consome minhas forças de antes
Deixa a lembrança daquilo que estou ansioso a esperar
Parece colocar correntes em mim para que não escape


Que sentimento é este que converte segundos em dias
Causando o efeito que modifica minha noção de tempo
Transforma em difícil a tarefa simples de compreender
Comprometendo sentidos que direcionam na realidade


É uma sensação que me agride de uma forma silenciosa
Colocando a deriva alguns receios que me fazem tremer
Fico inquieto esperando que o tempo certo possa chegar
E tento me esconder quando a angústia vem me torturar.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h14
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02/12/2007


Festa a Fantasia

 


Festa a Fantasia



Ela se vestiu de uma outra forma
Naquela noite seus trajes a diferenciavam
A maquiagem cobria seus olhos adormecidos
Espalhando um mistério que me cegava


Seus sentimentos estavam indecifráveis
Suas manias tentavam me despistar
Eu não conhecia o seu trajeto
Mas fiquei imaginando para onde ela iria


Era uma noite quente com a lua forte
O céu estava coberto de estrelas
Mas o que encantava era o brilho de seu olhar
Que fazia de meu instinto apenas um refém


Ela talvez tenha comentado para onde iria
Mas eu não acreditava em suas palavras
Desejava me transformar no vento
Para poder seguir seus passos


Eu precisava me camuflar para poder localizar
Encontrar alguma razão sem lógica para sair
Era a única maneira que podia utilizar
Para encontrar aquela que me alucinava


Seu perfume invadia o ar que me cercava
Suas curvas inspiravam meus delírios
Minha fantasia aflorava em minha pele
Deixando meus sentidos aguçados


Eu a olhava quando ela passava rapidamente
Minha vontade era arrancar aquela roupa
Fazer seu corpo ser meu sem pudor
Saciar a cobiça que me castigava


Quando ela ficou pronta fui incapaz de resistir
Minhas defesas foram baixadas em silêncio
Minha boca ficou ressecada e imóvel
Mantive os olhos fixos naquela mulher


Fiquei olhando pela janela enquanto ela saía
Meu coração parecia ser arrancado
Naquela noite eu fui vencido pelo mistério
Subornado por minha curiosidade inerte


Ela manteve o segredo de sua partida
Não disse se demorava ou se voltava
Fiquei preso a sua espera na madrugada
Imaginando o que ela estava fazendo


Fiquei caminhando em passos sem norte
A madrugada demorava a passar
E minha imaginação viajava sem rumo
Sufocando todas minhas memórias


Quando amanheceu ela chegou em silêncio
As palavras transbordavam por minha garganta
Mas o orgulho foi maior naquele instante
E mantive para mim a angústia da dúvida


Ela retornou mais bela do que foi e nada falou
Meu corpo queimava de um desejo reprimido
Em minha mente a confusão entre fome e sede
E só conseguia ver naquela mulher meu prazer


Sem poder me controlar arranquei suas roupas
Invadi sua privacidade sem cerimônia
Eu a tive como imaginei por toda madrugada
Não falei nada nem tive tempo de pensar


Realizei em seu corpo as minhas fantasias
Transformei em verdade os meus caprichos
Saboreei cada parte daquela que me fascinava
E ainda hoje não descobri a roupa que ela usava.

Escrito por Joffre Cardoso às 06h16
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Joffre Cardoso


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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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