
Cadeira de Balanço
Quando a vi sentada em sua cadeira
Não pude tirar meus olhos do seu semblante
Seu olhar estava fixo no horizonte
Parecendo buscar algo que lembrasse o passado
Sua pele não era mais como antes
As marcas que deixavam amostra seus anos
Eram traços profundos que denotavam caminhos intensos
Que podiam demarcar cada ano vivido
Em algum momento nossos olhos se cruzaram
Senti algo percorrer meu corpo inteiro
Como se tivesse tentando me falar algo em silêncio
Mas não consegui entender o que era
Com uma voz doce perguntou meu nome
Quase sem ação respondi com uma palavra
Fiquei perdido quando ela me olhou
E não conseguia falar nada mais
Pensei em seus anos de juventude
Onde a memória ainda não tinha sido consumida
Imaginei o tempo de moça sem os filhos
Sem o ar pesado que agora inclinava seus ombros
Viajei para o passado em minha mente
Como era o desenho que marcava seu corpo
Quando foi roubado seu primeiro beijo e abraço
Em que dia ela deixou de ser menina e se tornou mulher
As perguntas surgiam sem que eu pudesse responder
Se conseguisse perguntar eu faria sem pensar
Mas naqueles segundos eu perdi minha coragem
As palavras que dançavam através de mim sumiram
Não sei o que me deixou preso naquele dia
Mas quando vi aquela senhora em frente a sua porta
Com seus embalos em sua antiga cadeira de balanço
Fui hipnotizado pelo passado e recordações
A memória trouxe a minha infância perdida
Onde a inocência era algo que todos possuíam
Eu olhava para uma mulher sem segundas intenções
E trazia no peito apenas meus pensamentos tímidos.





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