Joffre Cardoso

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


27/09/2007


Desenho

 


Desenho



Eu te desejei na intimidade do meu corpo
para não esquecer mais tua presença
para não ter mais dúvidas sobre nada
para sempre te ter perto de mim


Eu te marquei na essência da minha alma
para te fazer mancha na minha vida
para ter tudo quase irreversível
para sempre poder te ver


Eu te tatuei na minha primeira pele
para poder ter um caminho
para seguir em comunhão
para sempre ter sentimento


Eu te arranhei no meu coração
para estimular meu tesão
para suspirar de prazer
para sempre poder te dominar


Eu te descrevi na minha mente
para ficar exato nosso relato
para estabelecer nossas regras
para sempre ter como te achar


Eu te configurei no meu pensamento
para saber como te possuir
para poder te ganhar
para sempre te prender


Eu te desenhei no meu espírito
para controlar o tempo
para dormir na madrugada
para sempre sonhar


Eu te determinei na minha vida
para não poder desistir
para conseguir me amparar
para sempre ter onde descansar.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h07
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26/09/2007


Visão Lua

 


Visão Lua



Estava uma manhã chuvosa
Onde os trovões que ressoavam
Tentavam de qualquer forma
Invadir a minha cabeça
Destruir meus pensamentos
Apenas me causar a dor


Aparecestes do nada eu não sei
Não lembro a exata circunstância
Só lembro que por alguns instantes
Ficamos somente nos olhando
Da minha parte sem nenhuma intenção
Da tua para ser sincera eu não sei


Nunca havia te visto nem sabia teu nome
Não conhecia tua face nem tua boca suave
Mas mesmo assim parecia te conhecer
E esta impressão ficou expandida no ar
Ficou presa de uma forma estranha
Uma forma que até hoje não sei explicar


Quando nossos olhos se afastaram
Até tive vontade de ir até onde estavas
Por momentos esperei que viesses a mim
Não com a vontade de te beijar e te ver
Mas com a vontade de sentir tuas mãos
De desvendar o tom e o som de tua voz


Aquele pequeno instante eu transformei
Em uma grande sensação de dúvida
Em uma grande e febril angústia
Não sei se era a dor que me invadia
Ou a vontade de ter te visto outro dia
Um dia em que eu estivesse mais calma.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h53
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Visão Deserto

 


Visão Deserto



Quando lhe vi não sentia mais meus braços
Não decifrava mais minhas palavras
Meus gestos eram obscuros
Minha mente ficou trêmula


Quando você passou na minha frente
Meus lábios estremeceram
As lágrimas rolaram por minha face
Desejos e loucuras me vieram à mente


Seu rosto não me era familiar
Nem suas curvas eram perfeitas
Não era a mulher de meus sonhos
Nem aquela que desejava as noites


Mas quando você passou
Não senti mais a solidão
Meus olhos não queriam mais nada
Que não fosse sua presença


Minha métrica se tornou imperfeita
Minhas dúvidas começaram a aflorar
De onde você vinha para onde você iria
Eram as palavras que eu desejava saber


A estrada que cercava a minha vida
Era composta de ilusões
E por muitas vezes
Eu me decepcionei


Muitas vezes lágrimas derramei
Mas desta vez a magia era diferente
Sentia algo que me detinha no tempo
Podia acreditar que ele havia parado


Alguma coisa que relembrava minha infância
Você era a solução para tantos sonhos
Algo que a partir do instante que lhe vi
Ingenuamente passei a necessitar.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h43
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25/09/2007


Pedido

 


Pedido



Eu pensei em fazer uma oração sincera
Que me mostrasse aquele caminho fiel
Certo para seguir sem nenhum receio
Ou sem a minha culpa intermitente


Meu pensamento ficou ausente por certo tempo
Eu pensei em vários momentos de minha vida
Eu vi alguns rostos e revi as minhas histórias
Ao final voltei para minha idéia inicial da oração


Não sabia direito o que pedir além do mais comum
Mas sabia que alguma parte estava me faltando
Sentia uma coisa em meu peito que me afligia
Mas como pedir aquilo que não tinha a certeza


Fiquei mais algum tempo sentando imaginando
Revi alguns textos e comparei algumas fotos
Procurei uma lembrança perfeita registrada
Encontrei algumas que me fizeram repensar


Com a dificuldade resolvi dividir e compartilhar
Comecei pela minha vida que até então existia
Vi onde tinha errado e como poderia melhorar
Compreendi algumas coisas mas ainda vagava


Então eu resolvi mudar para poder continuar
Troquei o tempo do passado para o presente
Rabisquei em uma folha algumas palavras
E escrevi aquilo que me veio ao pensamento


Eu quero fazer uma oração que seja perfeita
Que não contenha falhas no seu planejamento
Que resolva minha vida nesta latência permanente
Que me faça revigorar e que me deixe esbravejar


Eu preciso fazer uma oração que deixe sem dormir
Onde minhas lembranças possam ser dissipadas
Que persiga minha alma e retome o meu espírito
Que me faça ter a sensação da carne cintilando


Eu quero aprender a oração que passe segurança
Que transfira a confiança de volta aos meus olhos
Que possa recuperar cada grão que por fim voou
Quero aprender a recuperar aquilo que amedronta


Eu desejo fazer uma oração que me faça reviver
Que transforme a vida rotineira em uma novidade
Que exale o perfume que mais gosto nas manhãs
Que inspire as possibilidades que eu não imagino


Eu quero desenvolver a oração que me surpreenda
Que traga mais do que uma linha simples de novidade
Mas que construa uma ponte invisível para algum lugar
Onde eu possa acordar sem saber aonde vou dormir


Eu quero adquirir a oração que não seja exata
Que permita às vezes a mudança de variáveis
Que não desenvolva uma verdade absoluta
Mas que consiga agradar a todos que rezam


Eu necessito de uma oração que me faça ver mais além
Onde meus passos possam seguir sozinhos sem ninguém
Onde possa querer sem ter medo de não conseguir vencer
Onde a vitória possa ser a única alternativa que seja real


Eu quero fazer um pedido de oração que não sei explicar
Mas que preciso de sua ajuda para poder fazer acontecer
Eu quero saber como posso imaginar cada novo momento
Por fim quero que você ensine como aprender esta oração.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h42
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24/09/2007


Ilusão

 


Ilusão



Teu rosto é uma mentira
Tua face é uma falsa história
Teus sentimentos são dispersos
Tuas manias e loucuras são impuras


Mas mesmo assim me tens todo dia
Mas mesmo assim não consigo te esquecer
Mas mesmo assim não te tiro de minha vida
Mas mesmo assim sou sempre teu


A cada novo dia te odeio mais e mais
A cada novo momento tento te esquecer
A cada novo pensamento tento te matar
A cada nova madrugada tento te esconder


Mas quando o dia amanhece tu reapareces
Mas quando minha vida fica infeliz tu surges
Mas quando sinto tristeza em minha alma tu vens
Mas quando estou quase ficando bom tu apareces


Nossa vida jamais teve a capacidade de dá certo
Nossas atitudes sempre foram a favor do fracasso
Nossos sonhos eram diferentes para seguirem juntos
Nosso mundo era muito isolado para estarmos unidos


Mas com tudo isso tentamos impor nossas regras
Mas contra isso e contra algo mais nós persistimos
Mas contra a verdade nós tentamos impor a mentira
Mas contra a razão nós insistimos e assim perdemos


Por isso estou aqui sozinho e tento aos poucos te esquecer
Mesmo sabendo que por mais uma vez não terei resultados
Pois por mais que tente esquecer tuas atitudes e teus atos
Sempre me farão lembrar da melhor das ilusões de minha vida.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h55
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Simplesmente Você

 


Simplesmente Você




Carinhos e desejos eu procuro em você tentando me completar
Carícias e ternura eu busco em suas fantasias para lhe conhecer
Cultivo um sentimento que em seus detalhes não consigo definir
Crio instâncias que não sei mencionar e assim tento lhe entender


Respiro suavemente quando recebo um sinal que vem de longe
Resguardando as minhas dúvidas e meus anseios mais secretos
Redesenho e me perco em algumas antigas imagens do passado
Recriando o que é necessário para se conquistar a cumplicidade


Imagino seu rosto e o que faria se pudesse ter o prazer do toque
Incendeio meus pensamentos com idéias que só você pode fazer
Invento as possibilidades que podem mudar a direção do destino
Incitado no desejo e na cobiça que agora dominam a minha razão


Saio da rotina que às vezes me escraviza e me deparo com você
Sustento uma vontade que não sei se tenho o direito de apreciar
Sem muito pensar começo a viajar em algumas de suas palavras
Sabendo que no simples deslize meu coração pode se apaixonar


Tramo toda madrugada pelo confronto entre a ilusão e a realidade
Trazendo para minha origem aquilo que me inspira toda a verdade
Trabalho nas maneiras que podem fazer sua curiosidade aumentar
Traduzindo em intimidade e liberdade aquilo que necessito admirar


Instinto que me persegue no meio da multidão para lhe encontrar
Inspirando a minha vontade para de algum modo um dia lhe achar
Imaginando o dia e o momento certo para que possa lhe alcançar
Inventando as palavras que não existem que façam você acreditar


Na vontade de você percorro um caminho que me torna dependente
Navegando por lugares que me ensinam à arte de poder lhe decifrar
Na tentativa de entender os traços que formam seu rosto e seu corpo
Na esperança de um dia quando você fechar os olhos deseje me ter


Aguardo o tempo passar e fico angustiado por ele não poder correr
Alimento minhas sequências ilógicas de pensamento para acreditar
Acompanho o tempo que demora e recorro ao novo modo de esperar
Arrancando de mim tudo o que ainda resta para poder lhe conquistar.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h56
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21/09/2007


Preciso Tanto Aproveitar Você

 


Preciso Tanto Aproveitar Você



Não quero choro e não quero reza
Pois trago em peito uma dor maior
Do que minha indecisão do passado


Hoje não quero prece e não quero cura
Quero o sentido exato que você vincula
Quando tem o corpo e despreza a mente


À noite não quero apenas a cama prudente
Necessito mais do que carinhos inocentes
Eu desejo a arte do afago árduo e indecente


Preciso ganhar cada segundo que você possui
Para que meu corpo seja capaz de sobreviver
Preciso das horas e das semanas para lhe ter


Por isso não venha com promessas irreais
Nem com os seus falsos cognatos desta vez
Quero mais do que palavras quero lhe possuir


Não vejo a verdade nas atitudes convenientes
Nem escuto as palavras que sempre desejei
Mas a intensidade de sua presença me supera


O conto de fadas nunca foi minha idéia com você
Não preciso que as aparências sejam mantidas
Prefiro que o desejo seja saciado como antes


Então não vamos sonhar com a ilusão perdida
Mas vamos ter a visão do calor que me atrai
Do corpo que cobiço e das curvas que alucinam


Estou cansado do jogo de palavras e de rimas
Não quero mais jogar com a mesma rotina
Quero algo novo que surpreenda e me prenda


O amor que eu via foi tornado paixão de arredia
E agora sei onde posso começar e onde terminar
Com você só há um jeito que se pode sobreviver


É ter na carne a presença da minha cama
No corpo o sentimento do desejo recente
E em você a minha verdadeira indecência.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h26
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Chuva

 


Chuva



Lá do alto da janela de minha casa eu a vi correndo
Ela era mulher mas naquele dia corria igual menina
Ia atrás de cada gota que caía daquele céu cinzento
Como se fosse a melhor das sensações da sua vida


O céu estava transformado naquela manhã chuvosa
Transbordava água do céu como em uma cachoeira
Cada pingo fazia um barulho único tocando na areia
Aos poucos o som era transformado em uma sinfonia


O barulho que se formou ofuscou qualquer outro som
Mas trazia uma tranquilidade e uma sensação de paz
Que se eu fechasse meus olhos seria capaz de dormir
E poderia sonhar com aquela cena que estava vendo


Era a visão da mulher que corria sem qualquer medo
Parecia uma dança de uma pessoa em pleno transe
Que era protegida por alguma forma mágica de prazer
Que conseguiu se unir com a chuva como um agrado


Em alguns momentos ela suavemente abria os braços
Olhava para cima e sentia todos os pingos em sua face
Parecia que o tempo parava enquanto ela se banhava
Era um retrato quase perfeito que via naquele instante


Calmamente a chuva ia delineando seu corpo coberto
Era uma roupa única que se ajustava as suas curvas
Onde cada gota transcorria parte de sua sensualidade
Deixando a mostra aquela que eu começava a desejar


Não sei quanto tempo fiquei parado somente observando
Mas lembro os gestos que ela desenhou enquanto chovia
Fui enfeitiçado por seu jeito de dançar e por sua harmonia
Naquele dia fui tomado pela mulher que sabia fazer chover


Quando a chuva passou ela caminhou devagar para longe
Aquele corpo de forma simétrica foi se distanciando de mim
Depois de algum tempo só conseguia enxergar o horizonte
E hoje quando chove volto a janela esperando que ela volte.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h02
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19/09/2007


Tentação II

 


Tentação II



De longe te vejo
Por entre as nuvens
Repletas de desejos


Ao longe te admiro
Por entre as ruas
Desertas de apego


Teus lábios eu desejo
Tua pele eu necessito
Teu sexo é meu desespero


Das gravuras que tenho
Das loucuras que fiz
Tu foste sem erros a melhor


Dos momentos felizes
Das amarguras tristes
De minhas ilusões perdidas


Foste tu a mais sensata
A mais exata forma de prazer
Algo que eu jamais imaginei


Dos momentos mais sóbrios
Das lágrimas mais ilustres
Foste meu copo predileto


Nas minhas ilusões perdidas
Nos meus delírios imaginários
Foste minha bebida favorita


Dos sonhos infantis
Das taras juvenis
Da paixão adulta


Foste tu que me seduziste
Foste tu que me embriagaste
Foste tu que me maltrataste


Nas minhas aventuras
Nas minhas descrenças
Tu foste a minha oração


Por momentos te tive
Por outros te desejei
Por outros te possuí


E agora ao longe te vais
Sem dizer se tu voltas
Apenas te viras e sais.

Escrito por Joffre Cardoso às 21h47
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18/09/2007


Traços de Anjo

 


Traços de Anjo



Quando acordei antes que pudesse abrir os olhos
Rebusquei minhas lembranças da noite passada
Tentei lembrar quantas coisas eu havia escutado
Eu forcei a mente relembrando o que tinha falado


Quando consegui enxergar você estava na janela
Olhando alguma paisagem que não sei o que era
Ou então só pensando assim como eu imaginava
Talvez tentando acreditar na madrugada passada


Eu sei que você veio do céu ou algum lugar parecido
Pois das suas costas transbordavam asas brancas
Não sei se podia voar ou por breve momento flutuar
Mas rebusco no pensamento a beleza de seu dorso


Quando lhe vi decorei o semblante sereno e singelo
Um sorriso tímido com um dom que impressionava
Uma forma cheia de curvas que afugentava o medo
Com a fisionomia que explicava seus traços de anjo


Não pronunciei nenhuma palavra durante aquele dia
Nem pude pensar em outro rosto que não fosse seu
Quando eu dormi no meio da madrugada você surgiu
Em um sonho você veio e no pesadelo voltou a sumir


Os dias passaram e as noites aprisionaram a mente
Quando eu adormecia era sua imagem que eu revia
Seu corpo era o da mulher que eu por muito desejei
Mas sua forma angelical continha o gosto do pecado


Entrei em um dilema que continha a mente e o corpo
Mas o que tinha no espírito perdeu para minha carne
E na madrugada que eu voltei a lhe encontrar de fato
Não podia fazer outra coisa que não fosse lhe possuir


Nunca havia pensado em ter você na minha cama
A fragilidade de minha confiança não permitia isso
Era um desejo que não existia em minha realidade
Mas que pela ação do destino se tornou a verdade


Lembro o cheiro do lençol que no início lhe amparava
De minhas mãos calmas tocando a arte do seu corpo
De seu jeito doce de gemer e de sua saliva angelical
Remonto com cuidado aquela cena de paixão saciada


Após o ato viril articulado pelo dilema e pelo instinto
Corpos caíram cansados e você voltou a ser meiga
Fiquei algum tempo sem poder parar de lhe apreciar
Quando você dormiu pude respirar e voltar a sonhar.

Escrito por Joffre Cardoso às 19h50
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17/09/2007


Dúvidas

 


Dúvidas



Às vezes a dúvida nos corrompe
Nossos sonhos são devastados
Nossa consciência é inundada
Nossa história passa a ser confusão
Nossos atos se tornam dispersos
Nossa fórmula perfeita é quebrada
Nosso senso de amor próprio é desfeito
Nossa vida é estraçalhada
Repartida em tantos pedaços
Que aparentemente com toda força do mundo
Não seremos mais capazes de reverter
A situação na qual nos encontramos


Às vezes a aflição teima em fazer morada
Sentimos a solidão em nós
Mesmo que algumas pessoas
Ou mesmo que aquela pessoa especial
Por algum momento nos faça companhia
Não encontramos uma estrutura capaz de nos suportar
Não encontramos um ombro capaz de nos acalentar
Nem um beijo milagroso que nos faça ressuscitar
Não encontramos uma mão amiga
Ou um peito carinhoso para nos consolar
O carinho se torna inóspito em nossa alma


Às vezes as amizades se distanciam de nossa vida
Nos tornamos sós mesmo com a pessoa certa ao nosso lado
Nos sentimos culpados mesmo que não tenhamos culpa
Tentamos mudar o mundo onde ele não pode ser mudado
Tentamos acabar com a dor e com o sofrimento dos outros
Quando não conseguimos entender nossas próprias dores


Às vezes somos apenas vítimas
E pensamos que somos os agressores
Deixamos de viver para fazer alguém feliz
Nossa felicidade não importa
Nossos sonhos podem ser esquecidos
Nossos desejos amordaçados
Nossas sensações extintas


Às vezes tentamos carregar todo o peso do mundo
Mesmo sabendo que nossas costas não aguentam
Tentamos fazer que o sofrimento que nos cerca
Seja apenas nosso
Somos egoístas e não sabemos
Não sabemos a hora de parar
Não compreendemos a hora de recomeçar
Tentamos ficar estáticos enquanto a vida é dinâmica
Tentamos parar o tempo
Quando é ele que nos faz parar
Tentamos ser milhares quando só podemos ser um
Tentamos e logicamente não conseguimos


A solução não é a fuga
Mas o esclarecimento
Não é a raiva
Mas a compreensão
Não temos tempo para realizar tudo que queremos
Mas podemos fazer que o esforço seja recompensado
Sendo justos com nós mesmos
Sabendo que não existe perfeição
Que a dor é um dos sinônimos da vida
Assim como o carinho
A felicidade
A renovação
E o tão sonhado amor


Temos que crê nisso
Pois só assim conseguimos sobreviver
Pois só assim somos humanos
Cada um é responsável por sua felicidade
E embora não desejemos mal a ninguém
Muito menos o nosso sofrimento
Há momentos na vida que infelizmente causaremos dor
Isso é inevitável
E ainda bem que existe esta inevitabilidade
Pois sem ela não conheceríamos o sabor da felicidade
O prazer do bem estar
O entusiasmo da paixão
A embriaguez do amor


Devemos pensar assim por vários momentos
Toda vez que pararmos para rever nossa vida
Devemos acreditar que podemos ser felizes
Mesmo sabendo que nem todos conseguem
A felicidade é algo estritamente pessoal
Não depende necessariamente de ninguém
Apenas de nós mesmos
Podemos acreditar nisso
E tentar conceber nossa vida
Pois é assim que ela nos constrói
Através do sucesso e da derrota
Da luta e por fim da vitória.

Escrito por Joffre Cardoso às 20h48
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Bebida

 


Bebida



Doce gosto que desce por minha garganta
Doce sonho que faz transbordar meus pensamentos
Doce sinfonia que inspira palavras sem nexo ou rimas
Doce som que declama frases sem trova ou verso
Doce embriaguez que consegue formar as palavras


Sonhos esculpidos em montanhas inatingíveis
Montes descobertos em palavras inacessíveis
Sonhos e pensamentos que formam o encanto


O poema em cada paladar
O delírio em cada mesa
O contentamento em cada copo
No corpo que cai
A lembrança do passado
No copo que se quebra
Na risada que se forma
Na cerveja
Na mente
Na embriaguez
De mais uma semana que se passa


No sonho imperfeito
Na promessa imprecisa
Na mente indecisa
No momento certo
Na hora exata
No paladar que traz o teu gosto
Na sensação de saudade
No delírio quase latente
De minhas paixões impossíveis


Um copo a mais
Uma palavra demais
A rima que não se forma
A palavra que não se encaixa
O corpo que teima em dormir
Os sonhos que teimam por não ter fim
A lembrança de teu rosto
A lembrança de tua voz
A forma de teu corpo
A precisão de tua ausência
São as coisas que me fazem prosseguir
São os momentos que me fazem persistir


Agora os amigos se foram
Amizades adormeceram
A solidão se instala novamente
Em mais uma noite fria
Em mais um inverno vazio
Sem tua alma para me aquecer
Sem teu espírito para me confortar
Quem sabe mais uma cerveja para continuar
Quem sabe mais palavras para te esquecer
Quem sabe a vida seja assim beber
Beber para tentar te esquecer


A pergunta final
A resposta exata
Só pode ser traduzida com sabor
De mais um copo para terminar
Para que teu corpo possa aparecer
Em forma de relâmpago
Em forma de loucura
Em forma de sensação impura
Na forma incerta da embriaguez absoluta.

Escrito por Joffre Cardoso às 11h10
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16/09/2007


Vontade II

 


Vontade II



Que vontade de arrancar teus pensamentos
Esmagar e liquidar tuas dúvidas
Fazer sumir tuas outras necessidades


Que desejo de desfigurar tua inércia
De aglomerar tua atenção em mim
Sufocar toda esta situação


Que necessidade de sentir teu cheiro
Deliciar-me com o gosto de tua boca
Apreciar a delícia de tua língua


Que cobiça por tuas vontades
Por teus medos e anseios
Por tudo que te atinge


Que apetite pelo teu suspiro
Pela tua arte de gemer sem chorar
Pela tua atitude de querer me beijar


Que capricho pelos teus olhos
Pela tua face a me iluminar
Pelas tuas mãos a me tocar


Que fome imensa pelo teu corpo
Pelo teu conjunto em minha cama
Pela tua alma sob meus lençóis


Que sede pelo teu busto
Pelo teu pescoço
Pelas tuas costas


Que aflição por teu desejo
Por tua resposta ao meu estímulo
Por tua entrega ao meu deleito


Que tormento me persegue
Para te conquistar para te roubar
Para te levar ao meu esconderijo


Que murmúrio meu corpo chora
Pela vontade de interpretar o teu
Pela ânsia de te fazer ser minha.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h11
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Vontade I

 


Vontade I



É uma vontade que não sei explicar
Um desejo que não consigo controlar
Uma ardência que me causa queimaduras
É uma sensação que não há como descrever


Uma vontade imensa
Que destrói meu sono
Que alimenta minha fome
Que aumenta meu tremor


É uma ansiedade frustrante
Uma barricada que estronda
Um abrigo que desaba
Uma montanha que desmorona


É uma angústia por tentar e não ter
Por querer demais sem poder
Por temer querer e não comparecer
Por tentar e por fim apenas tentar


É uma corrente que me aprisiona
É uma semente que não gera
É uma instancia que me assombra
É um lamento que me entorpece


Não sei se é o cheiro de seu corpo
Ou a composição de sua pele
Se é o enlaçar de suas ancas
Ou o caminho de seu busto


Mas sei que é somente com você
Que não consigo me controlar
Somente por você que sinto tremor
Somente por você que sinto isto


Mas para tudo há solução
Para cada ímpar existe um par
Para cada ação uma conseqüência
Por isso para mim há salvação


Existe um mar para abrandar minha ardência
Muito gelo para curar minha tentação
Muita paz no céu para acalmar meu corpo
Muita coisa a se fazer para extinguir meu desejo


Então eu firmo toda vontade
Em minhas subjetivas palavras
Meu desejo em minhas idéias
Minha ansiedade na contemplação


É uma forma de combater meu instinto
De esconder meu desejo por seu corpo
De aliviar a dor que sinto em não ter
De suavizar sua voz ao meu ouvido


Só assim consigo querer e não poder
Só assim aceito não poder e querer
Só assim acredito que querer nem sempre é poder
Só assim entendo que poder é saber a hora de querer.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h08
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15/09/2007


Roda Gigante

 


Roda Gigante



Eu posso circular o mundo
Mas sempre acabo em você
Posso passear pelas montanhas mais lindas
Mas vejo pequenas pedras e penso em você


Eu posso provar as bocas mais saborosas
Mas depois de muito apreciar recordo você
Posso emancipar meus sentidos de liberdade
Mas às vezes sinto falta de estar preso a você


Eu posso conhecer e redescobrir novas mulheres
Mas de vez em quando eu as comparo com você
Posso ter o melhor desempenho em uma relação
Mas ainda consigo lembrar quando conquistei você


Eu posso passar meses e até anos com uma nova paixão
Mas na segunda ou terceira discussão procuro você
Posso fazer as pazes em apenas um dia com outra pessoa
Mas sempre sei como posso encontrar você


Eu posso estar bem em vários sentidos de minha vida
Mas quando meu mundo desaba minha mente traz você
Posso estar cercado de pessoas para me ajudar
Mas sei que uma das melhores é você


Eu posso pensar que nossa relação é apenas amizade
Mas nenhum amigo faz o que eu sei fazer com você
Posso não saber o limite entre amizade e cumplicidade
Mas sei aquilo que eu quero e posso esperar de você


Eu posso não lembrar o gosto do nosso primeiro beijo
Mas sei reconhecer quando o beijo vem de você
Posso não ver seu corpo despido sob a luz apagada
Mas sinto pelo toque as curvas que pertencem a você


Eu posso imaginar minha vida em um parque de diversões
Mas sei que há sempre um brinquedo que lembra você
Posso expressar meu medo de altura na roda gigante
Mas sei que se ela quebrar vou esperar por você


Eu posso não saber montar um livro das histórias que vivi
Mas sei o tamanho do capítulo que seria dedicado a você
Posso não lembrar da sua importância nos momentos bons
Mas não sei como eu saberia me conhecer se não fosse você.

Escrito por Joffre Cardoso às 13h52
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14/09/2007


Noite sem Lua

 


Noite sem Lua



Céu de estrelas repletas de saudade
Saudade do tempo que não nos esquece
Esquecimento da vida que nos fere
Ferimento da existência sem sentido
Sentimento em ter a dor como companheira
Companheira de luta, de morte, de perda
Perda de todos meus sonhos
Sonhos perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


Cansaço de ser apenas um alguém
Alguém que luta, que chora, que mente
Mente e desmente para se manter contente
Contente por ainda poder sorrir
Sorrir da vida que lhe maltrata
Maltrata e fere, humilha, brinca e desfaz
Desfaz promessas e destrói castelos
Castelos de areia que se fundem com o mar
Mar dos tempos esquecidos e obscuros
Obscuros e perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


E sua vida se constrói
Constrói com os laços imperfeitos da solidão
Solidão que mata, que fere, que rasga
Rasga cada esperança de paixão
Paixão perdida na doce ilusão
Ilusão dos sonhos, do mundo, da vida
Vida sem rumo, na cabeceira do acaso
Acaso e descaso perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


Frases escassas de sentimentos
Sentimentos dispersos por entre muitos
Muitos que deliram por entre tantos
Tantos que sonham, que choram, que rezam
Rezam por um final feliz
Feliz e sem danos para os que lamentam
Lamentam e sonham e sonham e sonham
Sonham e tem desejos perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite.

Escrito por Joffre Cardoso às 14h23
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11/09/2007


Nossa Dor, Nosso Choro

 


Nossa Dor, Nosso Choro



Nossa dor, nosso choro
Seu choro, minha dor
Sua risada e meu simples sorriso
Meu sorriso e sua gargalhada
Minha sede e sua fome
Meu suor e suas lágrimas
Seu desânimo e meu consolo


Nossas crises e nossa compreensão
Nossa amizade com força e sinceridade
Minha amargura com dor e sofrimento
Eu com a doença e você com a cura


Eu com o sol e você com a lua
Suas estrelas e meus astros
Sua imaginação e minha realidade
Sua sinceridade e meu carinho
Meu apego e seu afeto


Nossas dúvidas e nossas indecisões
Sua incerteza e meu apelo
O seu sentimento e a minha confirmação
Sua ingenuidade e minha experiência
Minha vida e você
Você em minha vida


Boatos e bobagens
Morte e reencarnação
Vida e ressurreição
Você e meu ciúme
Seu ciúme e minha chateação
Minha boca e sua boca
Nossos beijos e carinhos


Seu medo e minha compreensão
Minha raiva e sua calma
Nossos amigos e suas inimigas
Meu olhar e sua ternura
Sua ternura e meu encantamento


Sonhos e promessas
Minha promessa e nosso futuro
Tentativas e derrotas
Derrota e sofrimento
Sofrimento e dor
Dor e incompreensão
Incompreensão e saudades
Saudades e lembranças de você


Nossa dor, nosso choro
Seu choro, minha dor
Sonhos e promessas
Minha promessa e nosso futuro
Entre relatos e contos
Assim se passa eu e você.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h04
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10/09/2007


Casamento

 


Casamento




Começa com uma infinidade de olhares
Com alguns e intermináveis telefonemas
Com palavras e sussurros de forma lenta
Regando gestos que dosam o sentimento


Tem sua continuidade com as promessas
Passeando pelas margens das aspirações
Navegando pelas nuvens que se espalham
Encontrando a forma certa de compartilhar


Falta o marcador certo para saber a noite
Em que as conversas tornam-se realidade
Consolidando o fato preso em interrogação
Declarando um pedido há muito imaginado


O momento do sim ou do não percorre o ar
A resposta exata para a pergunta escorrega
E o sorriso estampado revela o compromisso
Que aguarda apenas a data para se realizar


O local e os convidados são peças acessórias
Que contribuem para certeza do fato realizado
Ampliando a notícia que não consegue cessar
E agora não consegue mais se conter no corpo


É encontrada a melhor maneira de composição
E desvendado o dia perfeito do ano que se vive
Para que na união e benção das alianças certas
A junção do beijo permita os corpos se tocarem


É o momento exclusivo que ocasiona as lágrimas
O barulho ao redor é esquecido e centrado no ser
Criando o ar singelo e único expresso na verdade
Onde a face ruboriza e o corpo por fim estremece


O novo mundo se abre diante de olhos iluminados
O caminho é o mesmo mas a trajetória é diferente
Antes os passos eram isolados agora em paralelo
As vidas se unem e transformam os corpos em um


Então toda a ansiedade que fazia morada na mente
É substituída por planos e desejos de pura felicidade
Que serão as peças fundamentais para unir os laços
Sendo comprovado em uma esperança de eternidade


Foi assim que vi e compreendi aquele casamento
Que incitou por minutos meu desgosto pela solidão
E fez brotar em mim naquele dia uma curiosidade
De como seria minha vida compartilhada com você.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h58
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06/09/2007


Morte Musa

 


Morte Musa



Sua face trêmula
Seu corpo quente
Em um segundo
O espanto


Sua face fria
Seu corpo frágil
Manias
Costumes
Esquecidos


Palavras
E palavrões
Pronunciados
Saudade expressiva
Momentos inesquecíveis


Fome
Solidão
Choro
Soluços
Raiva
Medo
Inexpressão


Sua voz em pensamento
Seu corpo em desejos
Em sonhos
Em pesadelos


Toque esquecido
Cheiro opaco
Vista cansada
Vida humilhada


Saudade presente
Em minha mente
Em minha vida
Tua presença ausente


Palavras esquecidas
Sonhos perdidos
Saudades
Saudades...

Escrito por Joffre Cardoso às 20h35
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Morte Amiga

 


Morte Amiga




Hoje eu vi um corpo sem vida e fiquei pensando do que somos feito
Fiquei em silêncio imaginando o que fazemos e deixamos de fazer
Tentei atribuir qualidades e defeitos para cada parte de minha vida
Analisando aquilo que nos torna ou não verdadeiros seres humanos


Recordei palavras antigas que contemplavam o verdadeiro caráter
Viajei pelos contos que ouvia de meus melhores e antigos amigos
Por um breve instante se fechasse meus olhos poderia até chorar
As lembranças naquele instante dominaram os meus pensamentos


Observei as flores que cercavam o corpo sem vida mas ainda intenso
Olhei as pessoas que sem palavras tentavam de alguma maneira falar
Permaneci pensando e tentando imaginar como o tempo passa rápido
E após alguns minutos consegui aos poucos retornar a minha realidade


Eu não conhecia bem aquela mulher embora já a conhecesse de antes
Ela esteve presente em alguns momentos da minha vida de adolescente
Por algumas vezes freqüentou a minha casa e foi inspiração para risadas
Mas nunca fui tão íntimo de suas idéias nem de suas viagens inesperadas


Mas no momento que a vi deitada sem reação fui capaz de compreender
Que não existe apenas uma resposta para cada pergunta em nossa vida
Fui guiado a enxergar assim como se conduz a pessoa que não pode ver
Que por mais inocente ou tido como diferente pelos outros somos únicos


Aquela mulher repousando com seus olhos fechados e sem nenhuma ação
Provocou em minha alma um tipo de reação em cadeia que me fez pensar
Em como somos pequenos diante da grandeza das coisas que nos cercam
Em como somos infantis ao pensar que podemos mudar o mundo sozinho


Sou obrigado a reduzir meu ar de grandeza que tenho em alguns momentos
E repensar a maneira de pronunciar quanto tempo eu ainda tenho para viver
Pois a imagem que presenciei foi uma forma de ver como eu sou vulnerável
E que sempre teremos o tempo insuficiente para realizarmos nossos sonhos.

Escrito por Joffre Cardoso às 20h14
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04/09/2007


A Abelha e a Caixa

 


A Abelha e a Caixa



Este pequeno pedaço de tempo é uma das partes de uma longa história que ocorreu em um lugar incerto, de um modo sem precedentes, longe do início da imaginação e muito perto do fim de nossos sonhos, é um relato que não se restringe as palavras, mas que encorpa e embaça o conceito do sentimento e das diretrizes que o compõem


Existia em uma certa instância de tempo uma abelha chamada incerteza, sua mania era a dúvida e sua essência a confusão, por onde passava vários lábios beijava, por onde andava em pernas tocava, era uma vida pródiga e em toda a sua extensão viu inúmeras coisas e diversos fatos incertos


Sua trajetória não era uma reta, não era uma curva, se deslocava ao lento conforme soprava o vento, e em muitos momentos desatenta sucumbia ao lamento de não poder viver como bem pretendia, mas conforme soprava e mandava o tempo


Suas armas eram a criatividade e a insistência, minava suas adversidades com a pouca energia que possuía, mas insistentemente, até chegar ao ponto que via as muralhas que a cercavam caírem e seus desafios sucumbirem a sua vontade


Talvez por querer demais e saber que não podia desistir com um primeiro estorvo, talvez por não poder sonhar com o milagre da perfeição, talvez por apenas achar que o talvez fosse a forma mais exata de pensar, sua vida era trilhada dia após dia, sem previsão nem destino certo


Mas um dia uma caixa a encantou, ela não era igual às mil outras que já havia conhecido, tinha a mesma forma, mas os detalhes a impressionavam, não havia uma posição certa para o pouso, então a pequena abelha circundou a caixa por vários instantes, em cada tentativa de pouso um novo fracasso, até que enfim encontrou um lugar seguro


Parecia um lugar sagrado, mas a abelha não queria apenas um ponto para descansar queria navegar e voar por dentro daquela caixa, queria conhecer seus encantos e seu mundo interno, e aquilo soou de um modo tão sublime que a pequena abelha se sentiu em paz


Os seus vôos de lugar em lugar, alguns por opção própria, outros impostos pela força da natureza, já não importavam mais, queria conhecer o interior daquela caixa, desfrutar seus segredos, sua magia, saborear o mistério que agora a acompanhava


Mas a caixa permanecia imóvel, parecia que a presença da abelha não era importante e se fosse não estava sendo dada a ela à devida atenção, depois de tanto que ela voou, depois de tudo que ela havia experimentado, quando por fim ela se cansou, e pensou que havia encontrado sua moradia, a caixa simplesmente não abria


A abelha sabia de sua longa trajetória, lembrava que seus passos por muitas vezes haviam sido incrédulos, que seu vôo por muito tempo havia sido incerto, que seus deveres não foram cumpridos, recordava que havia machucado algumas pessoas e que isso contava muito na hora daquela caixa se abrir, podia ser um castigo justo e a abelha agora começava a fraquejar, querendo duvidar de seu destino, querendo acreditar que não era assim que ela iria terminar


Seus sonhos estavam se quebrando aos poucos, suas asas estavam se cansando, seu vigor estava se ofuscando e sua confiança já não era mais a mesma, ela tentava mostrar sua dor para a caixa, mas a situação permanecia inalterada, não sabia mais como agir, o que fazer, nem o que pensar, só sabia que seu corpo estava cansado e que precisava de um novo lugar para revigorar suas energias


Por vezes fugia e se escondia entre os arbustos ou entre as nuvens, deixava que o tempo passasse para ver se a caixa se abria, mas ela não se abria e ao longe a abelha via o quanto é triste ficar sozinha, se perguntava se a caixa não sentia a solidão que também a assombrava


E um dia sem ninguém esperar, a caixa se abriu, a abelha não acreditou naquele fato, e do local de onde estava iniciou seu vôo ao encontro da caixa, cada metro, cada centímetro, cada segundo que a distanciava, parecia a história de toda sua vida


E quando enfim chegou, percebeu que a caixa não estava vazia, viu em seu interior outra abelha chamada mágoa, e então ela entendeu que todos seus sonhos haviam se perdido, que sua vida havia passado diante dos seus olhos, que sua alegria havia sido desfeita, que em sua vida já não havia sentido, e com fechar de seus olhos, via o fim do mundo que estava ao seu redor, e quando seu corpo sucumbiu, ela percebeu que nunca poderia viver sem a caixa que a desprezou.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h38
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03/09/2007


Mulheres


Mulheres



Não lembro com exatidão todos os nomes
Nem recordo com perfeição todos os rostos
Não decorei todos os sinais característicos
Nem as marcas que surgem na nascença


Mas consigo enumerar nos dedos de uma única mão
Aquelas que conseguiram fazer estremer meu coração
Posso fechar os olhos e relembrar a face de cada uma
Compondo uma trilha que cria a imagem de minha alma


É uma viagem que tem seu início na simplicidade
Onde meus sonhos não conheciam os limites reais
Onde eu podia escrever as verdades que eu imaginava
E compor a trilha perfeita para meus inúmeros desejos


Por um breve período isso foi suficiente e estimulante
Mas como todo início de história ou de paixão perdida
A verdade após algum tempo foi aos poucos revelada
E uma promessa de primeira e única paixão foi extinta


Outra apareceu e conseguiu abrir meus olhos cansados
Inspirou novos ares e formas que eu antes só imaginava
Minha história foi adequada à nova realidade provocante
Que fez minhas ambições e desejos secretos surgirem


Eu conheci algumas interessantes e outras nem tanto
Beijei de muitas formas e por vários motivos diferentes
Algumas vezes fui o romântico perfeito outras nem tanto
Mas em todas bocas que provei procurava uma perfeita


Em algum momento eu talvez tenha perdido o número
Ou talvez tenha esquecido o real motivo para a procura
Contudo consegui aproveitar muitos destes momentos
E superar muitos de meus vários fracassos anteriores


Mas com o passar do tempo minha vontade mudou
Não queria mais o sabor de qualquer uma sensação
Eu desejava e clamava pelo sentimento escondido
Pela beleza certa estagnada no limite da perfeição


Minha mente tentou ajustar a vida por algum tempo
Busquei algumas alternativas e refinei meu sentido
Apurei meu paladar e tentei saborear com maestria
Mas sempre faltava aquilo que me deixasse pasmo


Por algumas vezes achei que tivesse te encontrado
A beleza era única e a forma que via me inspirava
Cheguei a sonhar com as manias e com os gestos
E por instantes tive a certeza que havia encontrado


Mas sempre em algum ponto eu acordava do sonho
E começava a ver os exageros e defeitos que havia
E a busca era retomada e reajustada a nova jornada
Mas sempre ficava me perguntando se era eu ou não


No último destes momentos eu tinha a convicção
Era capaz de jurar e sonhar acordado diariamente
Fui capaz de descrever os problemas anteriores
Imaginei o futuro e os projetos que poderia realizar


Mas fui lembrado que não sei o caminho completo
Na minha estrada traçada eu não sei de cada curva
E como em outras vezes vi que não era a perfeição
Mas apenas mais uma parte que me levaria a ela


Muitas coisas podem acontecer em um momento
Várias palavras podem ser ditas e outras lembradas
Mas eu sei que após encontrar minha musa eterna
Ainda lembrarei de você algumas vezes no futuro.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h54
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02/09/2007


Atração Química

 


Atração Química



Queria poder pressentir que não se passa de uma atração química
Onde as interações e relações que ocorrem provém de hormônios
Que são oriundos de ordens cerebrais que fazem um ardor florescer


Gostaria de imaginar que este tremor que sinto em minha pele é falso
Com espasmos e contrações que apenas são óbvios no pensamento
Com a transpiração ofegante que sinto sendo apenas sensação falha


Projetaria minha imaginação para outro tempo se assim pudesse ser
Onde o ar ainda fosse respirável e não houvesse esta virtude solitária
Que invade as curvas de minha face e as tornam decaídas e tristonhas


Viveria com o ardor e o sabor que me compunham e eram intrínsecos
Com a sensação de calor intenso que floresciam pelos poros do corpo
Com aquela vontade de agarrar o mundo com as mãos e sonhar difícil


Saberia definir o que é paixão tesão ou apenas uma simples tentação
Aquilo que está apenas inerte ou aquilo que corrompe minhas vontades
Transformando meus dilemas pessoais em obra de capacidade intuitiva


Gostaria sinceramente que isso fosse possível mas não é a pura verdade
As atitudes são condicionadas por uma força maior que a base hormonal
Estão presentes as lembranças e pensamentos e que constroem o futuro


Então eu consigo vislumbrar os detalhes de seu rosto antes do presente
Aflorando a suavidade de meus pensamentos que projetam o meu futuro
Provocando um vazio que precisa ser preenchido com algo em meu peito.

Escrito por Joffre Cardoso às 12h35
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Joffre Cardoso


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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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