Joffre Cardoso

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


03/05/2008


É Sempre Vontade

 


É Sempre Vontade



Uma vontade estranha que vem e ninguém sabe o porquê
Um instinto sem uma razão ou sem função que consiga ver
Aquela coisa que chega e não vai que aparece e não some
Que não tem direção apenas surge quando ninguém pensa


Uma sensação que aparece quando os olhos estão abertos
O barulho que invade cada parte que controla o movimento
Um estrondo que arranca do peito o lado inerte que desperta
É a vontade que consome o ar que contorna a pele do corpo


É sempre vontade quando os pensamentos não são vigiados
Nos instantes que os desejos da mente escapam do controle
Naquelas horas que somente a conversa não consegue deter
Quando a fantasia não permite que a vontade seja dominada


As mãos estremecem com o mero contato com a imaginação
Os sonhos vêm à tona como se quisessem ar para sobreviver
As manias reaparecem e as artérias pulsam em descompasso
Nas madrugadas que a vontade se instala a cobiça é maestria


É a insônia que desfalece o corpo no propagar de suas crises
O virar e revirar na cama contando histórias para poder dormir
A contagem sem número para ultrapassar um momento inerte
Assim o tempo parece não passar quando se revela a vontade


É apenas uma vontade que não possui nome nem tem uma cor
Algo que não se expressa que não define forma nem tem sabor
Aquilo que consome os dias e se estica pela noite sem perecer
Apenas uma vontade que às vezes vem e eu não sei esconder.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h27
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22/04/2008


Palavras

 


Palavras



De olhos fechados saio do meu corpo e viajo sem destino
Começo voando entre os escombros de minhas fantasias
Sigo por um céu que esconde o azul que tanto me fascina
Entre o silêncio e as dúvidas do meu coração eu continuo


O caminho não está claro como eu imaginava na infância
As curvas não possuem setas que mostram a melhor rota
Como acontece nos contos de fada surge algum labirinto
Nestas horas o medo consegue fazer o corpo estremecer


Não há volta quando o pensamento segue sem a estrada
As palavras ficam atentas à cumplicidade de meu desejo
A boca começa a salivar e os olhos ficam fixos na cobiça
Quando inicio minha viagem saio sem hora para retornar


Passo por entre sonho e vontade que me deixa sem crer
Reconheço lugares que só meus pensamentos recordam
Sou levado por algum tipo de instinto que não sei revelar
Mas como se fosse uma droga é o que me traz liberdade


Posso sair do chão sem ter as asas para voar sem limite
Achar o santuário longe de qualquer solidão ou desprezo
Ir para algum local sagrado que me permita sentir a Deus
Encontrar a força que faz transbordar esperança no olhar


No instante que fecho meus olhos sinto um poder na pele
Espontaneamente é desfeita qualquer angústia existente
Deixo de ter receio do abandono ou da saudade sem fim
E minha vida passar a ter uma ausência da ambigüidade


Nos meus sonhos caminho sem ter horário para cumprir
As brechas do horizonte são preenchidas pela plenitude
Tenho um traço diferente que marca meu corpo perdido
Não possuo algemas que prendem as minhas vontades


Mas talvez a parte que deixa intenso o meu olhar seja ela
Aquela que encontro sozinho sempre que fecho os olhos
Em meus pensamentos cúmplices que estimulam o amar
Naquelas noites que procuro sua ternura na minha cama


Recordo de sua boca macia que trazia um sabor gostoso
Do corpo sagaz que tinha nas curvas o toque de capricho
Ganhando a minha intimidade em qualquer circunstância
E fazendo de mim um escravo nas vezes que lhe possuía.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h52
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04/04/2008


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É

 


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É



Suas lembranças ela coloca no papel de madrugada
Escreve como uma analista que codifica as pessoas
Na sua cama cadernos estão espalhados sem ordem
E no meio daquele caos ela encontra seu aconchego


Parece alguma menina que roubava livros na infância
Com traços de inocência em sua face que traz sorrisos
Seduzindo através da arte de sua revolta sem receios
E de palavras desmedidas que motivam quem a ouve


Tem no sangue a idéia de moldar casas em castelos
De compor sobre um teto cheio de vestígios antigos
Esculpindo em sua pele o desenho que mais deseja
E viajando entre nuvens que revelam seus segredos


Guarda dentro do seu íntimo uma dor sem tamanho
Que deixa a dúvida em alguns momentos de solidão
Mas através de palavras corajosas reage sem medo
Quando a vida põe na sua história testes de decisão


Costuma admirar a lua em suas noites de inspiração
Atrás de mudanças que somente ela consegue saber
Procura nas estrelas a paz que ilumina a sua mente
Transformando em sentimento o que eu não entendo


A sua natureza não é revelada apenas por um olhar
É necessário conhecer as manias e seus caprichos
Para que aos poucos seja revelada uma nova parte
E como um labirinto possa ser compreendido o todo


Possui na pele o cheiro que retira minha respiração
Faz minha imaginação viajar por lugares sem rumo
Eu me sinto perdido entre suas vontades e desejos
Sou o refém quando ela me quer nas suas loucuras


Mas o que realmente me encanta são suas fantasias
Com os rabiscos que unificam escolhas e promessas
Utilizando máscaras para compor sua personalidade
Deixando o ar de mistério que consome quem a quer.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h03
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01/04/2008


Metas

 


Metas



Quando o resultado não é o desejado
No segundo antes de terminar o prazo
Durante o último suspiro da palavra final
Naquelas horas que não adianta mais tentar


Quando o corpo quer se entregar sem lutar
No segundo em que as forças se dissipam
Durante a respiração ofegante de receio
Naquelas horas que o esforço foi insuficiente


Quando a mente fica sem segundas opções
No segundo que a estratégia foi ineficaz
Durante a conversa com segunda intenção
Naquelas horas em que não há mais saída


Quando a mão fica trêmula sem controle
No segundo que o suor fica mais evidente
Durante a luta por um espaço imaginário
Naquelas horas que o acordo é impossível


Quando os olhos ficam sem o brilho especial
No segundo que as lágrimas querem cair
Durante as frases marcadas anteriormente
Naquelas horas que o tempo não passa


Quando os plurais não significam mais nada
No segundo que os sentidos são escassos
Durante a discussão com palavras mordazes
Naquelas horas que as idéias são traiçoeiras


Quando as pernas tremem e não reagem
No segundo que a voz falha com raiva
Durante as palavras mal compreendidas
Naquelas horas em que tudo dá errado


Quando as dificuldades surgem do nada
No segundo que soluções são esquecidas
Durante dias que não se pode ver o céu
Naquelas horas que manhã é madrugada


Quando não há mais esconderijo seguro
No segundo que os sonhos são desfeitos
Durante a noite sem as estrelas no céu
Naquelas horas que tudo parece sumir


Quando a vida teima e temos que mudar
No segundo que nossa história é testada
Durante as dificuldades que vencemos
Naquelas horas é que podemos crescer.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h34
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29/03/2008


Escolhas

 


Escolhas



Quando não havia mais justificativas certas
Minha vida foi transformada em algo maior
No momento que o caminho estava escuro
Fui levado sem querer para melhor estrada


Escondi do mundo meus desejos secretos
Joguei no time que a maioria tem que jogar
Mas depois de muito andar não me achava
Fiquei trêmulo cercado por minhas dúvidas


Havia trilhas e atalhos que sempre atraiam
Por vezes escolhi aquela que me marcava
No começo o entusiasmo me deixava cego
Mas aos poucos a luz mais forte me guiava


Sempre fui levado de uma linha para outra
O que me enfeitiçava eram as frases curtas
Que causavam um efeito imediato no corpo
Deixando uma sensação de certeza no céu


Quando seguia pela nova direção solitária
Fincava os meus pés sem receio no chão
Tendo certeza que escolhera corretamente
Mas os medos anteriores eram revelados


Seguia por um caminho sobre as nuvens
E quando me dava conta elas dissipavam
Sem deixar tempo para poder me segurar
Caía sem ter como pousar em segurança


Então partia em direção a um outro sentido
Buscando nas pessoas erradas uma certeza
Mas a cada nova frustração me machucava
Como se o meu corpo não suportasse mais


Mas a tempestade dos dias normais acabou
O igual que procurava na maioria não achei
Resolvi mudar minha direção mais uma vez
Seguindo um instinto que consome o meu ar


Vejo na minha frente um caminho ensolarado
Onde a dificuldade é apenas mais uma pedra
A direção é seguida somente por uma minoria
Mas no fim da estrada existe uma recompensa


Seguirei sem medo com meus olhos fechados
Nadando contra a correnteza e contra maioria
Acreditando no instinto que brota do meu peito
Para conquistar tudo o que eu sempre quis ter.

Escrito por Joffre Cardoso às 12h40
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20/03/2008


Pele Íntima

 


Pele Íntima



Ela me tem por completo
Arranca minha pele íntima
Devora meu corpo desnudo
E sufoca as minhas palavras


Tem o dom de me conquistar
A arte de conhecer meu sabor
O tom de analisar meus gemidos
O talento de saber minha fraqueza


Ela se compõe com meus instintos
Aparece quando estou sem ninguém
Surge quando o desejo me consome
Domina quando não tenho mais forças


Seu olhar é composto de sensualidade
Suas mãos armas de minha devoção
O seu gosto eu desvendo aos poucos
Mas o sabor que procuro ela esconde


Entre suas pernas está minha alucinação
Com suas palavras surge minha inspiração
É a sereia que existe e me afoga aos poucos
Possuindo a tatuagem gravada na sua nuca


Nunca fui capaz de olhar em outra direção
Meu olhar foi confiscado por sua sensualidade
Humilhado por suas inúmeras vontades inexatas
Conquistado por suas pernas que me embriagam


Ela tem o sabor que procuro na madrugada
O brilho que ilumina no meio da escuridão
A pele que camufla sua vaidade desvairada
Uma educação que irrita de tanta perfeição


Mas na cama todas as barreiras são rompidas
Os extremos mudam e seguem a intimidade
O gosto do corpo é transmitido pela boca
E o seu cheiro desperta na pele a tentação


Sou escravo dos carinhos sem qualquer medida
Amante sem preocupação com olhares e vozes
Devoto do corpo que alucina os gemidos latentes
Prisioneiro da vontade que tenho na mente ardente.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h42
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14/03/2008


Intensa

 


Intensa



Meus sonhos são feitos quando desenho nas nuvens
Tenho a impressão que minha normalidade é anormal
Pois encontro poesia em formas que se espalham no céu
Ou em estrelas que se formam nas madrugadas em branco


Rabisco linhas unindo os cometas que cruzam o espaço
Tenho como problema achar lógica onde não há regras
Contar imagens que se formam em um piscar de olhos
E relatar minhas miragens de uma forma compreensível


Às vezes acho que o meu modo de sentir é exclusivo
Pois as sensações são transmitidas por minha pele
Sem nexo com a realidade que outros olhos relatam
Sigo em passos quando a maioria corre sem sentido


Meus olhos vêem aquilo que não consigo descrever
E se pudesse talvez não fosse tão belo quanto eu vejo
Por isso sonho acordado quando o silêncio me domina
E procuro alguém que possa entender o que eu sinto


Tiro os pés do chão quando meus pensamentos chegam
Sou levado para outro tempo em algum lugar secreto
Onde o limite não é imposto pelas arestas da realidade
E somente lá consigo encontrar meus desejos perdidos


A intensidade é a minha morada nos dias da semana
As emoções estruturam os alicerces de minha história
Sigo sem medo quando o desconhecido se apresenta
Mas recaio toda vez que meu coração entra em lapso


Sou escravo de um sonho que me leva aonde quero
E cobiço lugares que não sei pronunciar corretamente
Acompanho os raios do sol em alguma nova direção
E sempre me perco quando acho que encontrei a rota


Meu caminho é diferente mas continuo sempre em frente
Nos momentos de dúvida olho para as estrelas douradas
Traço alguma linha imaginária entre as curvas do destino
Encontro um norte e prossigo sem ter medo da escuridão


Procuro um castelo que tem o mar como jardim principal
E a verdade que subtraia todas as mentiras que conheço
Em algum momento sei que vou encontrar o meu destino
Mas até lá continuo me sentindo totalmente longe de casa.

Escrito por Joffre Cardoso às 22h58
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05/03/2008


10.000 Visitas

 


10.000 Visitas



Já sorri
Já chorei
Já sonhei
Já desejei


Passei por aqui muitas vezes
Eu mostrei lágrimas e sorrisos
Transformei a dor em palavras
E os meus desejos em verdade


Fui criança por alguns instantes
Adulto inconformado por horas
Pessoa perdida nas madrugadas
Mas aqui eu sempre me encontrei


As palavras mostram minha vida
Idealizam meus sonhos secretos
Contêm as marcas do meu corpo
Expressam os meus sentimentos


Por isso aqui é meu refúgio seguro
Conto minhas verdades e mentiras
Sem o medo de ser julgado culpado
Crendo que nunca serei condenado


Sigo com as frases que se formam
Conhecendo pessoas iguais a mim
Que procuram em um novo mundo
A extensão de seus pensamentos


Compartilho as cores do anonimato
Enxergo brilho nos textos que releio
Sonho como meus amigos escritores
Que têm na veia o vício de escrever


Eu viajo pela mente dos meus leitores
Trago as sensações que eles possuem
Sou incentivado por seus comentários
E muito grato pelas suas 10.000 visitas.

Escrito por Joffre Cardoso às 20h09
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29/02/2008


Para Ser Minha

 


Para Ser Minha



Para ser minha basta me olhar nos olhos
Fazer meu corpo tremer como um terremoto
Sorrir quando a brisa sussurrar ao seu ouvido
Ouvir a música que faz o corpo estremecer


Declamar palavras que me fazem imaginar
Contar uma história sem começo nem fim
Ouvir meus contos infantis e sorrir do nada
Passar o tempo sem se preocupar com hora


Para seguir comigo basta sonhar alto sem medo
Correr no meio da escuridão sem nenhum receio
Abrir os braços quando a chuva cair sem piedade
Entregar o corpo quando a ventania soprar forte


Guiar sem medo de uma curva sem proteção
Caminhar de pés descalços entre as pedras
Ser a pura simplicidade quando for louvada
Sonhar sem aquele medo de ser rejeitada


Para ser minha inspiração basta seguir em frente
Quando tudo ao seu redor parece desmoronar
Nos instantes que a vida teima em fazer testes
Naqueles momentos em que desistir é mais fácil


Crer nas madrugadas que o sonho é pesadelo
Acordar sabendo que o sol irá dissipar o medo
Sorrir para alguém sozinho no meio da multidão
Olhar nos olhos quando escutar com o coração


Para dormir na minha cama basta não ter limites
Saber que o dia pode ser transformado em noite
Que o chão às vezes é a melhor cama concebida
E que a imaginação é o que provoca uma relação


Entender que as palavras fazem o corpo balançar
Que pecado é deixar de sentir o que lhe dá prazer
Abrir o horizonte para novas fantasias imaginadas
Cativando a tentação e o desejo como comunhão


Para completar minha vida basta ser você mesma
Sorrir quando sua vontade estiver transbordando
Ser leve como uma folha levada pelo vento solto
Admirar o som do silêncio que nos deixa íntimos


Sonhar como uma criança sem barreiras impostas
Ter no olhar a crença que a verdade sempre vence
Compreender que destino é o que guia minha história
Acreditar que nesta vida você nasceu para ser minha.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h19
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22/02/2008


Além do Horizonte

 


Além do Horizonte



As nuvens agora estão se dissipando
O sol volta a surgir com traços tímidos
Com um ar de ressaca de uma longa noite
Como se tivesse ficado muito tempo quieto


O horizonte estava coberto pela dúvida constante
Ela continua presente mas sua força está dispersa
Corre sem direção certa e tenta encontrar uma falha
Mas a cada novo passo as brechas vão se fechando


Meus pensamentos agora puxam meu corpo inerte
Sussurrando palavras ao meu ouvido que motivam
As minhas pernas são obrigadas a seguir em frente
Carregando apenas o brilho íntimo de meus olhos


Depois de um tempo sem luz chega à hora de brilhar
Os raios do sol atingem minha face branca pelo tempo
Trazendo a cor que mostra o sabor de uma nova vida
Transformando em paisagem aquilo que era entulho


Os fragmentos que foram deixados pelo caminho
Agora não são mais essenciais na minha história
E no sorriso que brota dentro de um ponto mágico
Busco a verdade escondida por minha fragilidade


A estrada não pode ser perfeita em seu trajeto
Os buracos e as pedras devem estar presentes
Para que o corpo trabalhe e nossa mente viaje
Traduzindo em instinto o que nos traz mais força


Depois de um tempo a tempestade tem que terminar
Os raios vão sumindo e os clarões perdendo a raiva
A escuridão que cobria o céu durante o dia e a noite
Deixa a luz passar por fendas que rasgam o espaço


E nas frestas que se abrem no céu antes sem cor
Consigo encontrar caminhos que me fazem flutuar
Deixando transbordar da pele meus antigos desejos
Que me inspiram a olhar mais firme além do horizonte.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h50
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13/02/2008


Sem Norte

 


Sem Norte



Eu estou me sentindo perdido
Não encontro a direção certa
Caminho em terreno instável
E não vejo mais o horizonte


Os dias passam sem novidade
As horas me aprisionam em um ciclo
Fico rodando em uma confusão interna
Que não consigo encontrar a saída


Os pensamentos divagam em sonhos
Mas algo aqui dentro me deixa pesado
Alguma coisa tira minhas forças
E não consigo fugir da triste rotina


Penso em viagens que nunca fiz
Imagino o clima de outra região
Embarco em imagens de um futuro
Mas não me liberto de minha casa


Recorro a ligações sem importância
Ouvindo vozes que me amedrontam
Sinto o calafrio me corrompendo
E continuo andando sem sentido


Durante a noite o sono não chega
E nas madrugadas em branco
Estruturo mil planos sem noção
Que acabam me prendendo mais


Busco uma mão que me erga
Ou alguma luz que seja meu norte
Mas algo traz uma escuridão sem fim
Fazendo de mim apenas um grão isolado


Fecho os olhos e respiro para ter calma
Coloco meu coração em outras mãos
Entrego meu corpo a outras pessoas
Mas depois do prazer volta minha sina


Meus dias estão cercados por dúvidas
Sei o que desejo mas desconheço a estrada
Caminho sozinho sem conhecer os perigos
Sendo escravo do tempo que me persegue


Procuro o meu norte seguindo para sul
As nuvens cobrem o sol que me orientava
Uma chuva cai me deixando sem a visão
Mas ainda sigo atrás de uma estrela no céu.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h04
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08/02/2008


Casa Nova

 


Casa Nova



Eu a trouxe de olhos vendados por um novo caminho
As ruas não eram mais barulhentas como antes
O aroma que circulava era diferente
Ela logo notou embora permanecesse calada


Após algum tempo de espera chegamos
Desceu do carro e caminhou devagar
Ela tirou os sapatos para poder sentir o chão
Mas preferiu não ver nada até chegar à hora


Os seus passos eram curtos e vagarosos
Com um sorriso que tocava meu corpo como o vento
Eu a seguia de longe em silêncio apenas admirando
Foi a cena mais brilhante que vi nos últimos tempos


Quando chegou ao primeiro degrau da porta
Eu a segurei com carinho em meus braços
Liberei com delicadeza sua visão
E nossos olhos se perderam entre lágrimas


Quando ela abriu a porta reconheceu os móveis
Eram os mesmos que me confessou que desejava
Gravei em minha mente seus sonhos juvenis
Cada pedaço que ela me contou eu encontrei


Caminhou entre os vários cômodos
Passou rápido em alguns
Demorou em outros sem explicação
Cada passo era uma nova descoberta


Ao final de seu passeio de menina curiosa
Veio me abraçar como se quisesse me sufocar
Minha vontade naquele instante foi perder o ar
E congelar aquele momento em minha lembrança


Fomos aos poucos nos conhecendo de novo
O beijo se tornando ardente no início da noite
Minhas mãos deslizando por suas costas nuas
Minha boca redescobrindo o corpo adormecido


O toque suave se transformando em confidente
A respiração ficando ofegante entre os gemidos
O ar de prazer marcando as paredes imóveis
Finalizado em um último suspiro de desejo


Aquele foi o momento de minha mudança
Entre coisas de crianças e confissões de adultos
Em uma casa nova construí minha única vida
Ao lado de quem desejei em meus dias de sonho.

Escrito por Joffre Cardoso às 04h21
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28/01/2008


Vento

 


Vento



O vento ainda continua parado
A minha vida presa no passado
Atrás de promessas obscuras
Fiquei vendo o tempo passar


Corria tentando encontrar algo
Por vezes simplesmente sorria
Sem aceitar o que me agredia
Fiquei vendo o tempo passar


Meu corpo permaneceu inerte
A mente presa na alma parada
Criei raízes em um solo infértil
Fiquei vendo o tempo passar


A tempestade levou os sonhos
A areia cobriu a antiga estrada
O que me fez andar sem rumo
Fiquei vendo o tempo passar


Minha verdade era a fantasia
Que criei na minha esperança
Imaginando um sonho perfeito
Fiquei vendo o tempo passar


Em algum momento perdido
Miragem e verdade se uniram
Acreditava no que não existia
Fiquei vendo o tempo passar


Meus olhos estavam fechados
E a escuridão trouxe um mundo
Perfeito na sua pura incerteza
Fiquei vendo o tempo passar


Deixei de sentir o calor ardente
O corpo foi esfriando lentamente
Um labirinto se formou em mim
Fiquei vendo o tempo passar


Mas aquele vento há de voltar
Para purificar meu pensamento
Fazer com que eu veja as estrelas
E não fique vendo o tempo passar.

Escrito por Joffre Cardoso às 05h57
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21/01/2008


Dias

 


Dias



Os dias ficam mais lentos que o de costume
A rotina parece mais mordaz a cada segundo
Quando a espera me caça eu não escapo
Fico imóvel e o tempo parece retroceder


Faço jogo de palavras e invento histórias
Mas a hora não passa parece contrair
Uma prisão se forma ao meu redor
E a única coisa que posso fazer é esperar


Minhas asas imaginárias estão presas
Algo me segura no chão e não posso voar
Embora minha vontade seja sair da atmosfera
Permaneço amordaçado esperando o sinal


O sangue circula com uma maior pressão
Minhas contrações e espasmos são sem ritmo
Entre a espera e a partida fico cercado
E conto os dias para ter a resposta certa


Sei os segundos que ainda me faltam
As noites que ainda preciso dormir
Os dias que tenho que aguardar
Mas só olho para a hora que espero


Lembro de alguns momentos que vivi
Das partes que a dificuldade me dominou
Daquelas manhãs que levantei sem vontade
Mas isso caminha para um passado distante


A tempestade está próxima do final
As rajadas e trovões estão mais calmos
Posso olhar ao longe o céu azul sem nuvens
Mas a espera continua mantendo minha inquietude


Consigo sentir o cheiro da recompensa
Quase posso tocar a face de minha felicidade
Sinto os calafrios e arrepios da ansiedade
Minha mente viaja mas o corpo permanece parado


Sou o escravo de meus dias de espera
A liberdade ainda é um sonho possível
Mas vivo as horas que tenho que aguardar
Esperando o momento certo para poder voar.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h31
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17/01/2008


Perdido no Mar

 


Perdido no Mar



Quando o último raio de sol partiu
No momento que a lua surgiu longe de mim
Meu corpo seguiu sem destino certo
Fui levado por algum instinto insensível


Jogado distante de meu porto seguro
Arremessado em um lugar que não conhecia
Minhas pernas tomaram as rédeas
E meu caminho só podia seguir para o mar


O som da água sob o areia fina me atraía
Sentia a maresia que me desgastava
Meus pés tocaram aquela terra fria
E lembrei de meu primeiro mergulho


As lembranças voavam por minha mente
Era lançado por cenas imaginárias
Passando por fotografias que não lembrava
Saboreando o tempero perdido no tempo


Eu continuei seguindo aquela vontade
Que dominava minhas outras necessidades
Quando a água inundou meus dedos
Uma paz começou a invadir meu ser


Fechei os olhos e caminhei lentamente
A cada pequeno passo uma nova lembrança
Do tempo que não possuía medo de nada
Da época em que o escuro não me assombrava


Quando o mar cobriu meu peito fiquei sem ação
Meus braços estavam soltos como se pudesse voar
O peso que carregava foi dissolvido na maré
A sensação que me segurava eu não entendia


Fui transformado em uma ilha deserta
Cercado de água longe da terra firme
Mas aquela solidão foi a sorte de minha história
Pois somente perdido no mar consegui me encontrar.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h11
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15/01/2008


Apenas Para Tentar Compreender

 


Apenas Para Tentar Compreender



Então o desejo acabou
O sonho foi desfeito
A paixão esquecida
O mundo perdido
E a vontade saciada


Então as direções mudaram
A esperança se desfez
A união foi corrompida
E a verdade amordaçada


Então tudo que era destino
Foi tido como imperfeito
E os traços e caminhos
Que já estavam traçados
Hoje estão inundados


A noite não é mais a mesma
Os pesadelos são constantes
As nossas bocas agora são mudas
E nossos sentimentos são desfeitos
Assim como sempre deveria ter sido


Então a dúvida acabou e você fraqueja
Eu pensei que fosse tudo e que o passado
Havia sido esquecido e enterrado
Mas a areia se move e o ferimento
Volta a se abrir como era antes


Não há espaço para o depois
Apenas para o que veio antes
E todo o esforço foi desnecessário
Se a única coisa que pode existir
É um outro sentimento em sua vida


Meu talento desprezado
Minhas tolices confirmadas
Das verdades que acreditei
Apenas a necessidade da mentira
Apenas o descaso do perecível


O sonho não foi longe
Foi fiél enquanto pôde
E o passado volta a se repetir
A verdade fica trêmula
E a esperança é derrotada


A vontade por mim foi insuficiente
E minha lealdade ausente
Ausência que causa dor
Mas que supre a virtude da verdade
E mesmo que esta verdade seja triste
É a única que pode construir meu mundo


E desta forma acaba o conto da princesa e do poeta
O poeta sonhador e sua princesa humana e realista
Um poeta que ousou demais para ter a certeza
E foi infantil demais para acreditar que os sonhos
Um dia ainda podem ser possíveis e realizáveis


Mas as lágrimas não foram solitárias
Por momentos acreditaram que tudo estava certo
E mais uma vez como nos contos infantis
Chega a surpresa e acaba com a história


Espero que assim o final tenha sido feliz
E que não existam mais histórias como esta
Para que as crianças que a ouvirem
Não fiquem tristes como o poeta ficou.

Escrito por Joffre Cardoso às 21h49
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04/01/2008


Divisão

 


Divisão



Tem dias que acordo e o corpo teima em ficar quieto
Parece que o sangue não quer mais circular pelas veias
As artérias param de pulsar como se ainda tivesse dormindo
Não sinto os raios da manhã que tocam o meu rosto estarrecido


Não recordo os detalhes da noite passada em branco
Mas sei que devo ter pronunciado alguma palavra sem nexo
Pois quando olho para o lado só vejo seu corpo distante do meu
Como se procurasse uma saída inexistente na minha cama pequena


Fecho os olhos e tento lembrar como cheguei em casa
Respiro profundamente para sentir o cheiro que me cerca
Mas a lembrança insiste em ficar escondida em alguma parte
Talvez você possa me ajudar quando o cansaço lhe deixar acordar


Permaneço dividido entre os meus pecados e você
Preso em algum labirinto que não consigo achar a saída
Fico circulando durante a noite buscando alguma fenda perdida
Mas quando chega a madrugada acabo dormindo sem uma resposta


Sua presença é um marco indecifrável no momento
Que transcorre do riso para o choro em poucos instantes
Sufocando sentidos que trago escondidos no meu pensamento
Quebrando parte de minhas asas e me deixando acorrentado no chão


Não sou alguém que vive com os pés em terra firme
O céu me convida para meus sonhos que só eu entendo
Estou amarrado em algo maior do que eu mesmo posso saber
Então não use palavras simples para tentar explicar os meus defeitos


Quando chego em casa e lhe encontro ganho o dia
Nos segundos que vejo seu corpo desnudo tenho a vida
Mas nas horas em que você simplesmente permanece ausente
Eu não busco razões para lhe afastar e encontro frases para lhe buscar


Pare de usar as palavras certas nas horas erradas
Prefira saber as coisas erradas em algum momento certo
Esqueça os dias que não lembro as datas que nos marcaram
Tente achar boas lembranças toda vez que você quiser nossa divisão.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h03
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28/12/2007


Cadeira de Balanço

 


Cadeira de Balanço



Quando a vi sentada em sua cadeira
Não pude tirar meus olhos do seu semblante
Seu olhar estava fixo no horizonte
Parecendo buscar algo que lembrasse o passado


Sua pele não era mais como antes
As marcas que deixavam amostra seus anos
Eram traços profundos que denotavam caminhos intensos
Que podiam demarcar cada ano vivido


Em algum momento nossos olhos se cruzaram
Senti algo percorrer meu corpo inteiro
Como se tivesse tentando me falar algo em silêncio
Mas não consegui entender o que era


Com uma voz doce perguntou meu nome
Quase sem ação respondi com uma palavra
Fiquei perdido quando ela me olhou
E não conseguia falar nada mais


Pensei em seus anos de juventude
Onde a memória ainda não tinha sido consumida
Imaginei o tempo de moça sem os filhos
Sem o ar pesado que agora inclinava seus  ombros


Viajei para o passado em minha mente
Como era o desenho que marcava seu corpo
Quando foi roubado seu primeiro beijo e abraço
Em que dia ela deixou de ser menina e se tornou mulher


As perguntas surgiam sem que eu pudesse responder
Se conseguisse perguntar eu faria sem pensar
Mas naqueles segundos eu perdi minha coragem
As palavras que dançavam através de mim sumiram


Não sei o que me deixou preso naquele dia
Mas quando vi aquela senhora em frente a sua porta
Com seus embalos em sua antiga cadeira de balanço
Fui hipnotizado pelo passado e recordações


A memória trouxe a minha infância perdida
Onde a inocência era algo que todos possuíam
Eu olhava para uma mulher sem segundas intenções
E trazia no peito apenas meus pensamentos tímidos.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h44
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24/12/2007


Natalina

 


Natalina



Quero ganhar um presente que se chame Natalina
Conhecer suas manias e desvendar suas histórias
Ter mais do que uma simples noite para conversar
Poder tocar o rosto e sentir o cheiro quando quiser


Apreciar a beleza que se forma no mês dezembro
Emoldurar sua imagem sobre uma forma de canto
Sentir sua ternura em algum local de pura mágica
Ruborizar seu rosto quando meu olhar a perseguir


Mas não quero que fique embaixo da minha cama
Não precisa chegar devagar e entrar pela chaminé
O que peço é que preencha o vazio que me enche
Que traga novas curvas para eu descobrir sozinho


Não é necessário que venha em papel de presente
Ou arrumada em um belo laço de fita cor vermelha
Os enfeites e caixa dourada podem estar ausentes
Mas o conteúdo tem que me deixar sem respiração


Desejo que o perfume preencha os meus sentidos
Que a tonalidade da pele me faça sentir falta de ar
Fazendo com que meus instintos sejam aguçados
Toda vez que meus olhos cruzarem pelo seu olhar


Quero receber uma luz que tenha forma de mulher
Com pernas que passem e me deixem embriagado
Exalando a sensualidade ao balançar o seu cabelo
Com o carisma que satisfaz após o simples sorriso


Imagino uma boca carnuda com o sabor indecente
Onde a comunhão com sua face é mera obrigação
O busto ultrapassando as arestas dos meus dedos
Incitando alguma miragem com a mulher desejada


O seu corpo esculpido por algum artista imaginário
Foi inspirado em uma de minhas fantasias secretas
Com os detalhes que desvendam os meus desejos
Criando em mim uma dependência clara e imediata


Mas a sua beleza interior é seu verdadeiro segredo
Com um brilho que se instala no seu rosto angelical
Unindo nesta mulher um gosto de amor e de desejo
Essa mulher é o presente que eu quero neste Natal.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h37
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22/12/2007


Mentiras

 


Mentiras



Que palavras são estas que saem de sua boca e me ferem
Parece uma arma que me agride e me deixa sem defesa
Fico acuado no canto como se fosse o único culpado
Mas em meu íntimo eu sei da minha inocência


Que fúria é esta que sai de seu olhar que antes me acalmava
Agora insiste em sufocar minhas palavras de liberdade
Fazendo silenciar meu grito de ausência de pecado
Expulsando de você algo que pensava não ter


Que ânsia é esta que esconde seus carinhos mais íntimos
Usando frases para agredir minha face sem mágoa
Esquecendo os detalhes que nos aproximaram
Criando barreiras entre nossos sentimentos


Que murmúrios são estes que dominam seus pensamentos
Provocando idéias que têm a missão de me entristecer
Descartando minhas explicações verdadeiras
Inventando formas de me envenenar


Que instinto é este que agora domina as suas vontades
Transpirando uma cólera que antes eu não conhecia
Desencadeando suas perguntas sem sentido
Incentivando as dúvidas que me cansam


Que saudades do tempo que não existia a desconfiança
Onde as lágrimas eram de alegria e não de tristeza
Eu tinha você nos meus delírios de infância
E usava seu corpo para adormecer


Que vontade de desfrutar o passado mais uma madrugada
Trafegar por suas ruas que somente eu conhecia
Parar em algum ponto secreto de seu corpo
Mergulhar mais uma vez no seu sabor


Que desejo que tudo não passasse de uma tempestade
As mentiras fossem as nuvens carregadas no céu
E o vento pudesse dissipar esta mágoa
Com a sua força e simplicidade


Que vontade de dormir e acordar em um futuro distante
Onde eu pudesse compreender o meu presente
Encontrar o sentido da nossa relação
E manter minha fé em você.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h25
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20/12/2007


Nós Dois


Nós Dois



Gosto quando minha carne começa a tremer
Quando meu corpo não consegue se conter
Eu espero até que o cheiro penetre no lugar
Não descanso enquanto eu consigo respirar


Eu não me contento apenas com uma parte
Desejo mais do que aquilo que tenho direito
Sou indiscreto e tenho a gula como segredo
Quando o assunto é você exijo por completo


Não consigo esconder no peito a inquietude
Tenho que lhe olhar e comprovar que é real
Fico esperando a hora exata para poder ter
E quando eu a tenho não consigo me conter


Não guardo na intimidade a minha excitação
Nem deixo para as quatro paredes a relação
Espero mais do que apenas prazer na cama
Com você eu busco uma entrega sem limites


Não procuro uma relação que dure por anos
Mas uma que mude meu ano com uma noite
Alguma que transforme a hora em milésimos
Que acione dentro de mim algum sentimento


Eu caminho e provo novos sabores até achar
Algum que agrade e convença e me faça crer
Que não existe nenhuma melhor do que você
Quando não encontro corro para seus braços


Fico como um refugiado que não pode andar
Escondo meu fracasso e a busca sem noção
Entrego minhas vontades perdidas para você
E mais uma vez meu corpo começa a tremer


Este é o instante que lhe tenho sem restrição
Onde eu não escondo o que realmente quero
Nem você nega os seus verdadeiros desejos
Nesta hora passamos a ser somente nós dois.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h25
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11/12/2007


Ansiedade

 


Ansiedade



Que sensação é esta que me persegue e deixa sem ar
Causa em mim um estrago que se reflete no meu olhar
Deixa as mãos trêmulas como se fosse um dependente
Não estou preso mas meu corpo necessita de liberdade


Minha mente viaja por caminhos sem ter como retornar
É uma rota sem volta que eu percorro sem sair do lugar
Por mais distante que tente chegar não consigo lembrar
Qual a estrada certa que preciso achar para me libertar


Que mal é este que deixa as minhas idéias sem direção
Transforma minha imaginação em algo simples e errado
Não me deixa alternativas para escrever ou comemorar
Colocando grades nas palavras que antes eu inventava


Circulo ao redor de pontos buscando algo que me atraia
Mas se não controlo meus pensamentos eles se perdem
Fico sem saber onde estou mesmo que eu esteja parado
A sensação de incapacidade me invade e fico sem ação


A ânsia é algo que contamina meu corpo sem perguntar
Percorre minha pele e consome minhas forças de antes
Deixa a lembrança daquilo que estou ansioso a esperar
Parece colocar correntes em mim para que não escape


Que sentimento é este que converte segundos em dias
Causando o efeito que modifica minha noção de tempo
Transforma em difícil a tarefa simples de compreender
Comprometendo sentidos que direcionam na realidade


É uma sensação que me agride de uma forma silenciosa
Colocando a deriva alguns receios que me fazem tremer
Fico inquieto esperando que o tempo certo possa chegar
E tento me esconder quando a angústia vem me torturar.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h14
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02/12/2007


Festa a Fantasia

 


Festa a Fantasia



Ela se vestiu de uma outra forma
Naquela noite seus trajes a diferenciavam
A maquiagem cobria seus olhos adormecidos
Espalhando um mistério que me cegava


Seus sentimentos estavam indecifráveis
Suas manias tentavam me despistar
Eu não conhecia o seu trajeto
Mas fiquei imaginando para onde ela iria


Era uma noite quente com a lua forte
O céu estava coberto de estrelas
Mas o que encantava era o brilho de seu olhar
Que fazia de meu instinto apenas um refém


Ela talvez tenha comentado para onde iria
Mas eu não acreditava em suas palavras
Desejava me transformar no vento
Para poder seguir seus passos


Eu precisava me camuflar para poder localizar
Encontrar alguma razão sem lógica para sair
Era a única maneira que podia utilizar
Para encontrar aquela que me alucinava


Seu perfume invadia o ar que me cercava
Suas curvas inspiravam meus delírios
Minha fantasia aflorava em minha pele
Deixando meus sentidos aguçados


Eu a olhava quando ela passava rapidamente
Minha vontade era arrancar aquela roupa
Fazer seu corpo ser meu sem pudor
Saciar a cobiça que me castigava


Quando ela ficou pronta fui incapaz de resistir
Minhas defesas foram baixadas em silêncio
Minha boca ficou ressecada e imóvel
Mantive os olhos fixos naquela mulher


Fiquei olhando pela janela enquanto ela saía
Meu coração parecia ser arrancado
Naquela noite eu fui vencido pelo mistério
Subornado por minha curiosidade inerte


Ela manteve o segredo de sua partida
Não disse se demorava ou se voltava
Fiquei preso a sua espera na madrugada
Imaginando o que ela estava fazendo


Fiquei caminhando em passos sem norte
A madrugada demorava a passar
E minha imaginação viajava sem rumo
Sufocando todas minhas memórias


Quando amanheceu ela chegou em silêncio
As palavras transbordavam por minha garganta
Mas o orgulho foi maior naquele instante
E mantive para mim a angústia da dúvida


Ela retornou mais bela do que foi e nada falou
Meu corpo queimava de um desejo reprimido
Em minha mente a confusão entre fome e sede
E só conseguia ver naquela mulher meu prazer


Sem poder me controlar arranquei suas roupas
Invadi sua privacidade sem cerimônia
Eu a tive como imaginei por toda madrugada
Não falei nada nem tive tempo de pensar


Realizei em seu corpo as minhas fantasias
Transformei em verdade os meus caprichos
Saboreei cada parte daquela que me fascinava
E ainda hoje não descobri a roupa que ela usava.

Escrito por Joffre Cardoso às 06h16
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30/11/2007


Ciúmes

 


Ciúmes



Eu lhe devoro com meus olhos
Sempre lhe persigo quando você passa
Descubro as ruas por onde costuma caminhar
Invento motivos para poder lhe encontrar ao acaso


Sou levado por meus instintos infantis
Fico recluso em minhas miragens sociais
Amargurado por minhas manias de ter que possuir
Onde não consigo entregar o espaço que me cerca


Sigo seus passos como um admirador secreto
Rebuscando os momentos que você explora
Achando conflitos em campos inexistentes
Admitindo a derrota quando não lhe encontro


Sou empurrado por meus desejos obscuros
Procurando em seu corpo minha riqueza
Acreditando em suas formas para me completar
Ando sem medo ou vergonha sempre a lhe procurar


Mas o caminho é tortuoso e algumas noites são escassas
Embora meu esforço seja uma palavra verdadeira
Nem toda madrugada consigo lhe alcançar
Nestes dias quando amanhece me sinto fraco


É um capricho que consome meu corpo
Que inunda minhas idéias com falsas histórias
Mas quando você não se encontra presente
Não me controlo e lhe persigo em meus pensamentos


Pode ser uma doença que assola minha alma
Ou algum tipo de vício que arruína minhas noites
Talvez alguma sensação que devasta minha razão
Mas é algo que domina e cria cenários em minha mente


Então eu lhe cerco quando você não está perto
Experimento uma dor quando alguém se aproxima
Tenho espasmos de ciúmes se não consigo sua atenção
Recorro aos pensamentos íntimos para não lhe perder


Este é um lado que nem sempre consigo esconder
Pois é um instinto que parece dominar meu corpo
Deixa seu cheiro em um rastro que tenho que seguir
Mesmo que isso aos poucos me afaste  de você.

Escrito por Joffre Cardoso às 06h55
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28/11/2007


Viagem

 


Viagem



Eu quero voar por outros ares
Quebrar as correntes que me prendem
Arrancar o peso que me aprisiona ao chão
Preciso de outra atmosfera para respirar


O clima que me cerca persegue
O calor que sinto me sufoca
A poeira que se levanta me segura
Meus rastros são amarrados com o tempo


Eu quero ver outras paisagens
Desejo sentir um outro aroma
Poder ser molhado por outra chuva
Enfrentar uma tempestade desconhecida


As ruas têm que ser diferentes
As curvas podem ter outra direção
O vento pode mudar de intensidade
E minhas vontades precisam mudar


Eu quero enfrentar o delírio
Fugir para um outro pensamento
Conhecer novos sabores
Apreciar a forma de prazer perdida


Desbravar horizontes que não vejo
Subir em montanhas que me causem medo
Nadar por algum mar desconhecido
Fica em alguma ilha recém descoberta


Eu quero ficar entusiasmado com o novo
Ficar isolado das coisas antigas
Adquirir sensações que não imagino
Poder ser impregnado pela liberdade


Quebrar as barreiras de meus pensamentos
Lutar contra os medos de minha mente
Ter a boca de uma nova amante
Possuir o corpo da mulher que sonha


Eu quero viver em um devaneio permanente
Que não me deixe sem asas durante o vôo
Mas que me faça viajar por outra galáxia
Longe de toda rotina que conheço


Estacionar minha segurança e receios
Imaginar uma armadura especial de poder
Que conduza sensações sobre a pele
E não resseque minhas vontades


Eu quero ter mais do que mereço
Construir um castelo de areia no céu
Arrancar as fraquezas de meu corpo
E sobrevoar um novo mundo encantado


Um local que minha voz possa ser ouvida
Onde meus sonhos não sejam descartáveis
Que os sentimentos possam ser entendidos
E os meus desejos possam ser satisfeitos.

Escrito por Joffre Cardoso às 04h24
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22/11/2007


Inanimada

 


Inanimada



O silêncio inerente aquele recinto
O lapso codificado naquele momento
Em sua posição inerte e petrificada
A excentricidade de sua solidão


Sobre um piso áspero
Abaixo do campo sagrado
Sendo usada e abandonada
Sem um vestígio de compaixão


Às vezes humilhada e despedaçada
Pintada e usada como arma modificada
Outras utilizada com carinho e afago
Recebendo carícias de ancas apaixonadas


Suas pernas não são bem definidas
Às vezes são largas outras finas
Mas seu ponto de apoio é sempre firme
Independente da carga que a vida lhe impõe


Mas hoje ela está sozinha
Sem ninguém para lhe fazer companhia
Enraizada em sentimentos dispersos
Embriagada com o seu destino sem ânimo


Ela é branca e suas costas são detalhadas
Suas curvas e extremos e são elípticos
Hoje ela está ali como um corpo disperso
Estática a menos de dois metros de mim


Está querendo ser usada como sempre
Desvendar a cumplicidade dos visitantes
Servir apenas como um ponto de apoio
Pois esta é uma das funções da cadeira.

Escrito por Joffre Cardoso às 21h39
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17/11/2007


Confissão

 


Confissão



No teu sorriso eu viajo
Na tua boca eu me perco
No teu corpo eu enlouqueço
Nas tuas mãos está meu coração


Síndrome que me faz sentir a paixão
Devaneio que me faz perder a noção
Ilusão que me faz viajar sem direção
Lembrança que me faz ficar sem chão


No teu mundo eu quero entrar
Da tua vida eu quero participar
Sonhar contigo todos os dias
Viajar em teus delírios de noite


Envolver-te em meus pensamentos
Fazer com que vejas aquilo que nunca foi visto
Fazer com que meus sonhos sejam sólidos
E minha consciência seja única com a tua


Desejo que nossos corpos sejam um
Que nossas vidas se contemplem
Que as experiências sejam compartilhadas
Que tudo ao nosso redor seja esquecido


Escolhi o caminho mais difícil e por isso não consigo desistir
Escolhi a melhor de todas e por isso é tão difícil conseguir
Mas esta é a estrada que hoje pode me satisfazer
Por isso não consigo partir sem te ter comigo


Como conseguir um beijo teu sem que relembres o passado
Como conseguir teu corpo sem que tenhas medo do amanhã
Como seguir em frente se aquela que desejo quer ficar
Como continuar sem uma estrada segura para trilhar


Sem que meu coração palpite de sussurro e alegria
Sem que meus olhos se encham de virtude e de sonhos
Como prosseguir sabendo que pode ser muito mais do que é
No mais profundo pensamento eu reconheço que é impossível.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h22
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16/11/2007


MEME da Amizade

 


MEME da Amizade



Entre cartas e contos eu recebi uma lembrança
Não veio em uma garrafa que foi jogada ao mar
Nem chegou da maneira que vi em alguns livros
Foi lançada por alguém e trazida pela Chuvinha


Seu conteúdo era um mistério que me encantou
Tinha os traços da mulher especial de nome Cris
Com versos e estrofes que somente ela produzia
Que me seduzia em seus momentos de pura luz


Na mensagem que eu decifrava via o sentimento
Com sua tonalidade e o seu devaneio imaginário
À minha mente vieram algumas imagens antigas
E alguns versos de Marcelo para sua musa Nice


As palavras que lia me faziam viajar por quadros
Era difundido a momentos de minhas confissões
Onde eu tinha um misto entre o menino e homem
Senti conflito na pele e me lembrei da Conflitada


Foi pela pessoa que enviou aquela nova corrente
Que meus pensamentos ficavam dispersos agora
Tentei lembrar alguma citação que me acalmasse
Fechei os olhos e pensei na seleção da amiga Bel


Minha visão estava presa em cada frase que via
O cenário e enredo iam se juntando aos poucos
As idéias afloravam em movimentos sem ordem
Queria ser diferente como a menina Thaísa fala


Mas naquele momento eu não exercia o controle
Começava a lembrar de minhas paixões antigas
Da menina que tinha havaiana de correia branca
Que um dia em um texto perdido Caulus retratou


A carta que veio não sei de onde me fez pensar
Retirou de minha mente as palavras de costume
Criou a nova página em branco na minha história
E como Nil construiu uma vida em duas palavras


Conforme me aproximava do final daquele poema
O contexto geral ia formando e moldando o conto
Eu me vi como Wagner em sua visão de estranho
E não conseguia saber com exatidão o que sentia


Quando eu acabei de ler aquelas últimas estrofes
A minha esperança parecia ter nascido mais forte
Eu não sentia solidão como os textos de Thalissa
E pude continuar a corrente do MEME da amizade.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h24
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15/11/2007


Medo de Escuro

 


Medo de Escuro



Eu tenho medo da escuridão
Vejo formas que não existem
Tenho sensações na imaginação
Mas sei que tudo não passa de ilusão


Às vezes ouço sussurros perdidos
São vozes que não consigo diferenciar
Ficam voando e sei que não é possível
Mas elas conseguem me assustar


Quando estou no meu quarto sozinho
Rezo para que espíritos não venham
Embaixo do chuveiro fecho os olhos
Mas aos poucos eu os abro com medo


Eu conheço as manias do pecado
E por vezes evito algumas coisas
Tento ser cristão quando o receio chega
Mas sei que assim não consigo salvação


Luto por dias e por causas perdidas
Tentando reparar meus erros passados
Encontro refúgio em minha cama solitária
Mas sei que dormir não me ajuda a esquecer


Durante a noite eu não sinto muito frio
Desejo ficar acordado para não ter pesadelo
Escrevo e leio qualquer coisa para não dormir
Mas quando durmo tenho o sonho condenado


Eu não gosto de ficar sem uma luz
Pois meus olhos vêem mais do que quero
Os fantasmas divagam por entre mundos
Mas sempre terminam na minha mente


Fico preso entre as quatro paredes
Não há como fugir ou como me esconder
Sinto no corpo um arrepio que me faz crer
Mas sei que isso só pode ser alucinação


Relembro das histórias de criança
Onde qualquer filme fazia o corpo estremer
Quando viramos adultos os contos se perdem
Mas comigo eles não foram descartados


Eu não sei ficar no lado escuro da casa
Sempre busco a ajuda de um ponto claro
Pois vejo em roupas penduradas pessoas
Mas sei que na luz isso não acontece


Meu medo está vinculado com algo passado
Não consigo determinar o que causa isso
Tive experiências que me assustaram
Mas nenhuma delas pode ser a única causa


Talvez seja a minha percepção aos detalhes
Ou algum fator herdado de vidas passadas
Algo que me faz ver o que não compreendo
Mas isso é um fardo que eu não me permito


Eu fico pensativo em algumas madrugadas
Lembrando que por vezes eu não tive medo
Foi quando a luz de seu corpo estava presente
Naquelas noites o medo sumia quando você surgia.

Escrito por Joffre Cardoso às 08h38
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13/11/2007


Escultura

 


Escultura



Os meus olhos estavam presos eu não sabia como evitar
A visão que se formava a minha frente me deixou sem ar
Por mais que disfarçasse o desejo me fazia voltar a olhar
Se pudesse ficaria neste jogo até a primeira luz aparecer


Naquele momento o rosto e sua boca estavam ofuscados
O brilho que entrava em minha retina vinha de seu busto
A forma simétrica parecia ter sido esculpida em uma reza
O contorno que eu admirava conservava o gosto genuíno


Eu estava vendo uma escultura que foi gravada na beleza
Moldada de uma forma única sem rascunho ou sem erros
Traduzida sob um efeito que modificava o jeito de admirar
Seduzindo a minha fraqueza e derrotando a minha defesa


Eram seios desenhados sob a curvatura do ângulo correto
Onde a sinuosidade fazia a volta entre as minhas fantasias
Cobria meu desejo e se banhava em uma enseada perdida
Deixando em minha boca uma vontade eminente de provar


Durante aquela noite comecei e terminei no mesmo ponto
Por mais que saísse a minha imaginação insistia em voltar
O gosto me viciava a cada beijo que vagarosamente dava
Desfrutava cada momento como se fosse o último da noite


Quando amanheceu me debrucei sob minha visão poética
Fiquei acomodado como se fosse a melhor cama que já vi
Sonhei como o artista que encontrou a obra que procurava
Quando acordei pude reencontrar minha escultura perfeita.

Escrito por Joffre Cardoso às 07h33
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Joffre Cardoso




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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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