Joffre

Lapso de Memória - UOL Blog

Lapso de Memória


19/12/2015


Prisioneira

 

Prisioneira

 

 

Eu a sigo com os olhos da imaginação sem pudor
Conto meu tempo em ordem inversa para sentir
Procuro na parte mais devassa de minha mente
As palavras exatas para fazer o seu corpo tremer

Sei que ela busca o paraíso escondido e céu azul
Com as cavernas e lagos perdidos em alguma ilha
Onde os pássaros voam alto sem ter direção certa
Mas não é isso que o coração e corpo necessitam

Ela precisa sentir a dor que tem início no coração
E possuir na pele as marcas que formam a cicatriz
Necessita da briga empatada e o elogio descabido
Ela quer ser desejada mesmo quando não for vista

Eu a tenho nos sonhos que surgem na madrugada
Quando ela chega e bate na minha porta sedenta
Com aquela boca vermelha querendo ser beijada
Vestida com a roupa que cola na sua pela morena

Entra sem cerimônia e como uma dança ensaiada
Rasteja para meus pés como se implorasse perdão
Olhando de cima para baixo eu a sondo e a desejo
Cada curva cada pedaço daquele vício abençoado

Os seus olhos atentos como se esperassem ordem
Ficam seguindo os meus com o coração acelerado
A boca saliva e o gosto do sexo se espalha pelo ar
Ela parece presa mas na verdade é a que saboreia

Eu a tenho pelos cabelos sem piedade ou cuidado
Arranco sussurros enquanto a puxo para o peito
Trazendo para mim o pecado do qual me escondo
Saboreando cada parte do corpo que me prende

Eu prendo suas mãos e falo baixo em seu ouvido
Palavras que não devem ser faladas para crianças
Aperto com força e bato até sentir a pele tremer
Desvendo a sua intimidade que sempre desejei

Ela consegue gemer em detalhes para as estrelas
Balança a cintura como se fosse de outro planeta
Arranha e rasga minha pele como a fêmea no cio
E ganha o meu gozo quando me olha implorando

Ela é minha escrava e minha submissa de verdade
Obedece mas tenta fugir quando o dia amanhece
Mas seu corpo não respira sem o meu por perto
E o meu não sobrevive sem o dela para possuir.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h54
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26/05/2015


Puta e Princesa

 

 

 

Puta e Princesa

 

 

Ela sonha com os dias em que não consegue ter
Procura a liberdade perdida de suas madrugadas
O seu corpo pulsa como se fosse parar de bater
E em suas veias está o tesão que a faz se perder 


Não controla o corpo que parece ser de uma viciada
Treme como se precisasse daquilo para poder viver
Vozes a perseguem e não a deixam fechar os olhos
E a fazem andar atrás daquilo que ela não encontra


É algo que permanece no peito e sempre a consome
À noite quando está sozinha ou quando tem alguém
Não importa se na luz do dia ou em meio ao escuro
É aquilo que deixa seu corpo trêmulo como uma dor


A arma escondida em seu corpo nu precisa caçar
A fúria enraizada em sua mente precisa espalhar
É como se uma tempestade arrebentasse o peito
E sua boca sedenta de prazer tivesse o domínio


Não importa a hora pode ser qualquer dia ou lugar
Possui candidatos que se acumulam em sua porta
Como uma matilha de lobos famintos esperando
O tempo certo para o fruto proibido poder provar


Ela não o quer como tantos outros que conquistou
Parece que este prato é o mais especial de saborear
Esperou dias sem fim e noites sem o corpo dormir
Calculou formas e desenhou em detalhes sua presa


Na madrugada ela apareceu com o corpo sedento
As roupas estavam sufocando a sua pele arrepiada
A língua cobiçava lábios daquele que não conhecia
Em seus pensamentos hoje ela seria presa perfeita


Roupas rasgadas espalhadas no chão de piso branco
Os gemidos sufocados ecoavam de um local perdido
A meia luz os corpos se entrelaçavam com violência

E o vício a consumia da forma mais linda que existia


Os cabelos sendo puxados sem a piedade de criança
Mordidas encravadas em sua pele clara que brilhava
Os suspiros e palavras fortes faziam gritar e gemer
Era princesa mas amava ser devorada como puta.

 

Escrito por Joffre Cardoso às 23h50
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22/10/2012


Rainha

 

 

Rainha

 

 

Eu a devoraria sem pena sem medo sem receio
Seria capaz de moder de bater de apanhar de ter
Apenas para sentir o seu cheiro durante a noite
Apenas para ter seu corpo indefeso por horas

 

Ela me tem em suas dúvidas e isso me consome
Desfaz e refaz caminhos querendo me esquecer
Mas em seu íntimo a ferida ainda corrói o corpo
Como se fosse vírus se alastrando pelos cantos

 

A boca me causa abstinência de tempos perdidos
E meu refúgio é encontrado em frases esquecidas
Que consomem o ar e fazem as marcas arderem
Que consomem a lógica e fazem eu me perder

 

Ela me teve por instantes sem fim e sem nexo
Conquistou a parte mas não olhou para o todo
Esqueceu de ter e cuidar antes de comemorar
Foi cruel foi criança se fez adulta e se ausentou

 

O corpo ainda tem espasmos como o de costume
As vozes ainda perseguem como em outros tempos
Tudo volta ao início e aquele fim se torna repetitivo
E mais uma vez tenho que ter carne para sobreviver

 

Ela segue sem pena sem medo sem receio
Consegue se esquivar e chorar escondida
Com os sentimentos em pedaços e sozinha
Enquanto pensam que ela ainda é a rainha.

 

Escrito por Joffre Cardoso às 19h05
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15/06/2011


Cambalhota

 

Cambalhota

 

 

Ela virou meu mundo e me fez dá voltas no ar
Retorceu em algum momento a minha lógica
Fez tremer alicerces que eu sempre me apoiei
E como um menino que sempre fui me assustei

 

Deslocou minha razão que sempre foi perfeita
E fez no meu peito acelerar de novo o coração
Instintos de criança voltaram e fiquei sem norte
E desta vez ao invés de mandar fui conquistado

 

Talvez sejam os olhos que não tremem ao me olhar
Ou sua boca carnuda que me escraviza ao me beijar
Quem sabe o cheiro que invade a minha respiração
Ou sua cor que enfeitiça meus olhos já apaixonados

 

Consigo relembrar a primeira vez que eu a desejei
Descrever os beijos arrancados naquela madrugada
Relatar o contorno de seu corpo deitado na cama
Imaginar o toque mais forte e o gemido no ouvido

 

A tentação que palpitava e mãos que queriam voar
O gosto da boca molhada entre carícias de loucura
Naquela noite ela foi minha sede e hoje estou preso
Pois em seus carinhos e vontades sempre me perco

 

Ela se faz presente em um lugar que estava sem vida
Traz no sorriso o jeito de menina que me faz sonhar
Em suas palavras consigo remontar sonhos perdidos
De um tempo onde podia ser eu mesmo sem medo

 

Assim ela me faz refém em um cárcere sem grades
Decifra minhas tentações sem que forneça as pistas
Constrói em detalhes sonhos de um tempo esperado
Onde duas pessoas se encontram e fazem uma vida.

Escrito por Joffre Cardoso às 11h01
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06/04/2011


Meu Vício

 

Meu Vício

 

 

Tem horas ela que cansa de fingir o sorriso fácil no rosto
Há momentos que o mais certo é simplesmente ser real
E deixar para trás os bons modos de menina sempre bela
Nestas horas a vida parece lhe culpar pelo tempo perdido

 

Os vários amores que deixou passar e as promessas falsas
Às vezes que deixou um alguém à espera de seus carinhos
Ou aqueles instantes que precisava apenas dizer um não
Tudo vem a sua mente como se fosse a hora da cobrança

 

O coração não age como as pessoas que estão ao seu redor
As suas palavras não são escassas como as que sempre ouve
Deseja mais do que apenas acordar todos os dias pela manhã
Quer ter sobre seus ombros o poder da conquista e do prazer

 

Busca mais do que podem lhe oferecer e por isso a solidão
Em suas noites e madrugadas que fica sozinha não dorme
Algo acompanha a sua alma e a deixa como se fosse criança
Como medo do escuro e pensando no que poderia ter feito

 

As suas mãos trêmulas perseguem as curvas de seu corpo
E como se quisesse entender o porquê de suas dúvidas
Desliza suavemente pela sua pele branca sem manchas
Buscando a resposta que por muitas vezes não quis ver

 

Os amigos lhe cercam durante o dia e no decorrer da tarde
O trabalho lhe persegue como se fosse a cura para a sua dor
Mas nas entrelinhas está a grande aflição de seu pensamento
É quando se olha no espelho que o vazio lhe absorve sem pena

 

Não importa quantos beije ou com quantos se deite à noite
Após o prazer e quando chega a sobriedade ela se perde
Como uma estrela e farol que não tem a quem orientar
Em seus desejos mais íntimos sabe que continua sozinha

 

As palavras ainda continuam sendo agressivas e afastam
Os modos de menina conquistadora prevalecem ativos
Mas um sentimento vazio a carrega por vários momentos
Que a deixa pensativa nos domingos em que a chuva cai

 

Talvez seja a hora de encontrar apenas uma boca para beijar
Ou sonhar com o antigo príncipe encantado que há de chegar
Embora ela goste das cicatrizes das conquistas em seu corpo
Há momentos que é melhor ser a presa do que ir ao ataque.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h01
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06/02/2011


Ela

 

 

Ela

 

 

Ela pensava que bastava amar para poder voar
Acreditava que os sonhos brotavam em árvores
Corria imaginando que a vida passaria mais lenta
Sonhava com o dia em que poderia ser completa

 

Pulava de um avião sem pára-quedas por prazer
Gostava de sentir o coração tremer só para ver
Queria agarrar o mundo com as palmas da mão
Assim ela se firmava como mulher e vivia em paz

 

Tinha nos olhos o brilho que procuro até agora
No corpo trazia os contornos que enfeitiçavam
Entre seu andar e o seu cheiro eu ficava preso
Como se fosse um menino que não sai sozinho

 

Nos traços que formavam seu rosto achava luz
Na cor de sua pele minha mente era perdida
E da forma como ela falava eu me sentia feliz
Era atraído por algo que me deixava mais forte

 

Ainda sinto o seu cheiro sobre a minha pele
Consigo sorrir dos dias que só trago em mim
E lembranças de seu corpo ainda perseguem 
Como se fosse um escravo eu ainda a procuro

 

Sua boca era mágica e as palavras me seduziam
No beijo molhado eu sentia o que ainda me falta
Embriagado ou sóbrio enjoado ela me agüentava
Sem dizer um ai ou lutar contra os meus carinhos

 

Trago nas fantasias as posições que mais gostava
Tenho no corpo as marcas que ela sempre deixava
Nós construíamos um mundo entre quatro paredes
 E de uma forma que não sei descrever sonhávamos.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h25
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25/09/2010


Frágil

 

Frágil

 

 

Não sei se é o jeito de menina que encanta
Ou se é a forma suave que às vezes me olha
Mas quando ela chega eu sinto um calafrio
Que passa por minha pele e me faz arrepiar

 

Uma vez cheguei perto para sentir seu cheiro
E fiquei preso e embriagado com o seu aroma
Fui às nuvens e voltei para eu poder respirar
Mas a minha vontade era nunca mais retornar

 

Eu sempre a vi como alguém perto e distante
Como alguém que podia olhar mas não tocar
Que sabia o jeito de andar e mexer o cabelo
Mas que não era permitido eu me aproximar

 

Foi assim que passei a maior parte do tempo
Sempre olhando e cobiçando mas sem poder
Com suspiro na garganta e o desejo no corpo
Admirando de longe e querendo estar perto

 

Mas um dia como se estivesse escrito antes
A madrugada a trouxe com se fosse presente
A chuva caía lá fora e ela chegou de surpresa
Quando ela entrou a minha pele estremeceu

 

Não sei se era o desejo reprimido ou loucura
Mas eu fiquei paralisado quando a vi molhada
Os seus olhos escuros me deixaram sem razão
E por alguns minutos a minha voz ficou presa

 

Em silêncio ela entrou sem nenhuma hesitação
Devagar tirou as roupas que molhavam o chão
Sem palavras me tomou e me fez seu escravo
Naquela noite eu senti a menina se fazer mulher.

Escrito por Joffre Cardoso às 20h17
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05/06/2010


A Ponte

 

A Ponte

 

 

Quero fazer uma ponte que chegue à lua
Para ficar perto das estrelas ao anoitecer
E sentir o calor do sol quando o dia clarear
Só quando acabar esta obra vou descansar

 

De lá vou poder ver tudo que sempre quis
Eu vou poder flutuar quem sabe até voar
Construir uma casa do tamanho do mundo
Ou usar como meu esconderijo em segredo

 

Será uma ponte maior que minha imaginação
Com estruturas mágicas que sustentam o ar
Vou poder ir e voltar com se fosse um mago
E se algum dia enjoar de algo basta eu voltar

 

Controlar as marés com se fosse um aquário
Mudar de lua nova para crescente com o olhar
Ter poder sobre assombrações da madrugada
E se quiser ainda posso atrasar o amanhecer

 

Será uma ponte perfeita desenhada com prazer
Mas não servirá só para mim deixarei você usar
Basta que você se comporte e aprenda a sonhar
Que feche os olhos e veja o sentimento pulsar

 

Quando levantar seus braços e se deixar levar
Sem medo do agora ou com receio do amanhã
Será o dia certo para você receber a aprovação
E terá o livre acesso a ponte e ao meu coração

 

Lá escreveremos na areia e o mar não apagará
As suas roupas serão tiradas em plena lua cheia
Nós poderemos fazer amor enquanto flutuamos
E lá na Terra milhões de pessoas irão nos invejar

 

Será a casa da árvore que sonhava quando criança
A fortaleza que montava em sonhos só para te ter
Nela vou te devorar nas quatro fases da minha lua
E te receber em meu esconderijo quando anoitecer.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h10
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20/05/2010


Eu Gosto

 

Eu Gosto

 

 

Eu gosto quando o sangue ferve
Quando o corpo estremece sem parar
Gosto daquela que me come com o olhar
Que devora com palavras que sussurra no ouvido

 

Eu gosto quando o tempero é apimentado
Quando as frases são ditas sem calma nenhuma
Gosto do tumulto de sentimentos que afloram na pele
Que deixam marcas e cicatrizes profundas pelo corpo

 

Eu gosto quando a voz fica trêmula
Quando o cheiro de paixão se dispersa no ar
Gosto de ficar com água na boca só de imaginar
Que no momento que te encontrar vou te saborear

 

Eu gosto quando o desejo é mais forte
Quando o sentimento teima em vencer a razão
Gosto de pensar milhares de formas de te desejar
Que inspiram as minhas fantasias me fazendo delirar

 

Eu gosto quando o corpo não se controla
Quando a loucura consegue vencer o correto
Gosto de ficar vivo quando te tenho ao meu lado
Pois só assim consigo mudar o sonho para a realidade.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h22
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16/05/2010


Era Mais Simples

 

Era Mais Simples

 

 

Quando eu era criança eu tinha medo de escuro
Passava um tempo imenso para poder adormecer
Ainda hoje às vezes aquela sensação me persegue
Mas basta pensar em você para que a luz retorne

 

Naquele tempo as coisas eram bem mais simples
Não ia para casa sem a sua boca e sem seu corpo
Bastava um sorriso e algumas palavras e você cedia
Mas agora na milésima tentativa ainda tenho receio

 

Antes com apenas um olhar o mundo mágico surgia
Era como um relâmpago que invadia nossos corpos
Era simples dominar suas vontades e suas vaidades
Mas hoje fico cansado de falar para lhe convencer

 

Naquela época seus olhos brilhavam quando me viam
Eu sabia que se pedisse você faria tudo para conseguir
Tinha a certeza de olhos fechados que você era minha
Mas o tempo passa e as coisas mudam sem notarmos

 

Não posso fazer o tempo voltar ou sentimento reviver
Sei que necessito seguir em frente sem olhar para trás
Eu conheço a dor e o problema de manter a esperança
Mas às vezes este sentimento vence as minhas defesas

 

Não sei se a culpa consumiu o sentimento em excesso
Se algum tipo de pedra apareceu impedindo a passagem
Ou se o mundo que conhecia mudou enquanto eu dormia
Mas sei que meu corpo está sentindo a ausência do seu.

Escrito por Joffre Cardoso às 18h56
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02/05/2010


Ressaca

 

Ressaca

 

 

O gosto ainda está na boca e a garganta continua amargando a saliva
Mas a ressaca de um longo tempo acabou da mesma forma que chegou
Ainda sinto o tremor que me fez recair na fantasia que me enlouquece
Mas agora posso abrir os olhos e respirar as palavras que ficaram presas

 

Fiquei calado não sei por qual motivo neste período em que tudo escureceu
Trancado em um mundo que me aprisionou e não deixou brechas para fugir
Mas voltei a perder o controle e como sempre fui retorno sem medo de falar
Tentei e me esforcei mas o meu instinto foi corrompido com o doce pecado

 

Por ela mudei olhei para o mundo de outra forma como se nunca tivesse visto
Eu conheci o outro lado que é baseado em carinho e atenção sem explicação
Foi assim por um longo tempo mas o corpo fibrila quando outra mulher passa
Os olhos perseguem aquilo que não se pode ter e deixa marcas estampadas

 

Então me perdi e coloquei na minha cama uma que geme de modo diferente
Que arranha quando era para alisar que grita quando é invadida sem piedade
A sensação de novidade enche os olhos é como uma comida boa que satisfaz
Quando termina deixa algo estranho como se o prato preferido fosse abusado

 

E quando a madrugada chega e o corpo teima em desfalecer cansado de sono
Lembranças voltam a atormentar como em uma sessão de martírio voluntário
Corrompendo a minha mente frágil e transformando o passado em presente
Nesta hora as mãos tremem e o frio parece ser mais forte do que realmente é

 

Mas conheço um jeito de seguir em frente sem ser derrotado por lembranças
É algo que faz parte de mim que por algum tempo me esforcei para esquecer
Porém o vício saiu vitorioso e conseguiu romper as grandes que o prendiam
E agora para continuar eu me alimento da conquista do desejo e do prazer.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h51
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03/05/2008


É Sempre Vontade

 


É Sempre Vontade



Uma vontade estranha que vem e ninguém sabe o porquê
Um instinto sem uma razão ou sem função que consiga ver
Aquela coisa que chega e não vai que aparece e não some
Que não tem direção apenas surge quando ninguém pensa


Uma sensação que aparece quando os olhos estão abertos
O barulho que invade cada parte que controla o movimento
Um estrondo que arranca do peito o lado inerte que desperta
É a vontade que consome o ar que contorna a pele do corpo


É sempre vontade quando os pensamentos não são vigiados
Nos instantes que os desejos da mente escapam do controle
Naquelas horas que somente a conversa não consegue deter
Quando a fantasia não permite que a vontade seja dominada


As mãos estremecem com o mero contato com a imaginação
Os sonhos vêm à tona como se quisessem ar para sobreviver
As manias reaparecem e as artérias pulsam em descompasso
Nas madrugadas que a vontade se instala a cobiça é maestria


É a insônia que desfalece o corpo no propagar de suas crises
O virar e revirar na cama contando histórias para poder dormir
A contagem sem número para ultrapassar um momento inerte
Assim o tempo parece não passar quando se revela a vontade


É apenas uma vontade que não possui nome nem tem uma cor
Algo que não se expressa que não define forma nem tem sabor
Aquilo que consome os dias e se estica pela noite sem perecer
Apenas uma vontade que às vezes vem e eu não sei esconder.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h27
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22/04/2008


Palavras

 


Palavras



De olhos fechados saio do meu corpo e viajo sem destino
Começo voando entre os escombros de minhas fantasias
Sigo por um céu que esconde o azul que tanto me fascina
Entre o silêncio e as dúvidas do meu coração eu continuo


O caminho não está claro como eu imaginava na infância
As curvas não possuem setas que mostram a melhor rota
Como acontece nos contos de fada surge algum labirinto
Nestas horas o medo consegue fazer o corpo estremecer


Não há volta quando o pensamento segue sem a estrada
As palavras ficam atentas à cumplicidade de meu desejo
A boca começa a salivar e os olhos ficam fixos na cobiça
Quando inicio minha viagem saio sem hora para retornar


Passo por entre sonho e vontade que me deixa sem crer
Reconheço lugares que só meus pensamentos recordam
Sou levado por algum tipo de instinto que não sei revelar
Mas como se fosse uma droga é o que me traz liberdade


Posso sair do chão sem ter as asas para voar sem limite
Achar o santuário longe de qualquer solidão ou desprezo
Ir para algum local sagrado que me permita sentir a Deus
Encontrar a força que faz transbordar esperança no olhar


No instante que fecho meus olhos sinto um poder na pele
Espontaneamente é desfeita qualquer angústia existente
Deixo de ter receio do abandono ou da saudade sem fim
E minha vida passar a ter uma ausência da ambigüidade


Nos meus sonhos caminho sem ter horário para cumprir
As brechas do horizonte são preenchidas pela plenitude
Tenho um traço diferente que marca meu corpo perdido
Não possuo algemas que prendem as minhas vontades


Mas talvez a parte que deixa intenso o meu olhar seja ela
Aquela que encontro sozinho sempre que fecho os olhos
Em meus pensamentos cúmplices que estimulam o amar
Naquelas noites que procuro sua ternura na minha cama


Recordo de sua boca macia que trazia um sabor gostoso
Do corpo sagaz que tinha nas curvas o toque de capricho
Ganhando a minha intimidade em qualquer circunstância
E fazendo de mim um escravo nas vezes que lhe possuía.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h52
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04/04/2008


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É

 


Loucuras de Alguém Que Não Sabe Quem É



Suas lembranças ela coloca no papel de madrugada
Escreve como uma analista que codifica as pessoas
Na sua cama cadernos estão espalhados sem ordem
E no meio daquele caos ela encontra seu aconchego


Parece alguma menina que roubava livros na infância
Com traços de inocência em sua face que traz sorrisos
Seduzindo através da arte de sua revolta sem receios
E de palavras desmedidas que motivam quem a ouve


Tem no sangue a idéia de moldar casas em castelos
De compor sobre um teto cheio de vestígios antigos
Esculpindo em sua pele o desenho que mais deseja
E viajando entre nuvens que revelam seus segredos


Guarda dentro do seu íntimo uma dor sem tamanho
Que deixa a dúvida em alguns momentos de solidão
Mas através de palavras corajosas reage sem medo
Quando a vida põe na sua história testes de decisão


Costuma admirar a lua em suas noites de inspiração
Atrás de mudanças que somente ela consegue saber
Procura nas estrelas a paz que ilumina a sua mente
Transformando em sentimento o que eu não entendo


A sua natureza não é revelada apenas por um olhar
É necessário conhecer as manias e seus caprichos
Para que aos poucos seja revelada uma nova parte
E como um labirinto possa ser compreendido o todo


Possui na pele o cheiro que retira minha respiração
Faz minha imaginação viajar por lugares sem rumo
Eu me sinto perdido entre suas vontades e desejos
Sou o refém quando ela me quer nas suas loucuras


Mas o que realmente me encanta são suas fantasias
Com os rabiscos que unificam escolhas e promessas
Utilizando máscaras para compor sua personalidade
Deixando o ar de mistério que consome quem a quer.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h03
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02/04/2008


Metas

 


Metas



Quando o resultado não é o desejado
No segundo antes de terminar o prazo
Durante o último suspiro da palavra final
Naquelas horas que não adianta mais tentar


Quando o corpo quer se entregar sem lutar
No segundo em que as forças se dissipam
Durante a respiração ofegante de receio
Naquelas horas que o esforço foi insuficiente


Quando a mente fica sem segundas opções
No segundo que a estratégia foi ineficaz
Durante a conversa com segunda intenção
Naquelas horas em que não há mais saída


Quando a mão fica trêmula sem controle
No segundo que o suor fica mais evidente
Durante a luta por um espaço imaginário
Naquelas horas que o acordo é impossível


Quando os olhos ficam sem o brilho especial
No segundo que as lágrimas querem cair
Durante as frases marcadas anteriormente
Naquelas horas que o tempo não passa


Quando os plurais não significam mais nada
No segundo que os sentidos são escassos
Durante a discussão com palavras mordazes
Naquelas horas que as idéias são traiçoeiras


Quando as pernas tremem e não reagem
No segundo que a voz falha com raiva
Durante as palavras mal compreendidas
Naquelas horas em que tudo dá errado


Quando as dificuldades surgem do nada
No segundo que soluções são esquecidas
Durante dias que não se pode ver o céu
Naquelas horas que manhã é madrugada


Quando não há mais esconderijo seguro
No segundo que os sonhos são desfeitos
Durante a noite sem as estrelas no céu
Naquelas horas que tudo parece sumir


Quando a vida teima e temos que mudar
No segundo que nossa história é testada
Durante as dificuldades que vencemos
Naquelas horas é que podemos crescer.

Escrito por Joffre Cardoso às 23h34
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29/03/2008


Escolhas

 


Escolhas



Quando não havia mais justificativas certas
Minha vida foi transformada em algo maior
No momento que o caminho estava escuro
Fui levado sem querer para melhor estrada


Escondi do mundo meus desejos secretos
Joguei no time que a maioria tem que jogar
Mas depois de muito andar não me achava
Fiquei trêmulo cercado por minhas dúvidas


Havia trilhas e atalhos que sempre atraiam
Por vezes escolhi aquela que me marcava
No começo o entusiasmo me deixava cego
Mas aos poucos a luz mais forte me guiava


Sempre fui levado de uma linha para outra
O que me enfeitiçava eram as frases curtas
Que causavam um efeito imediato no corpo
Deixando uma sensação de certeza no céu


Quando seguia pela nova direção solitária
Fincava os meus pés sem receio no chão
Tendo certeza que escolhera corretamente
Mas os medos anteriores eram revelados


Seguia por um caminho sobre as nuvens
E quando me dava conta elas dissipavam
Sem deixar tempo para poder me segurar
Caía sem ter como pousar em segurança


Então partia em direção a um outro sentido
Buscando nas pessoas erradas uma certeza
Mas a cada nova frustração me machucava
Como se o meu corpo não suportasse mais


Mas a tempestade dos dias normais acabou
O igual que procurava na maioria não achei
Resolvi mudar minha direção mais uma vez
Seguindo um instinto que consome o meu ar


Vejo na minha frente um caminho ensolarado
Onde a dificuldade é apenas mais uma pedra
A direção é seguida somente por uma minoria
Mas no fim da estrada existe uma recompensa


Seguirei sem medo com meus olhos fechados
Nadando contra a correnteza e contra maioria
Acreditando no instinto que brota do meu peito
Para conquistar tudo o que eu sempre quis ter.

Escrito por Joffre Cardoso às 12h40
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20/03/2008


Pele Íntima

 


Pele Íntima



Ela me tem por completo
Arranca minha pele íntima
Devora meu corpo desnudo
E sufoca as minhas palavras


Tem o dom de me conquistar
A arte de conhecer meu sabor
O tom de analisar meus gemidos
O talento de saber minha fraqueza


Ela se compõe com meus instintos
Aparece quando estou sem ninguém
Surge quando o desejo me consome
Domina quando não tenho mais forças


Seu olhar é composto de sensualidade
Suas mãos armas de minha devoção
O seu gosto eu desvendo aos poucos
Mas o sabor que procuro ela esconde


Entre suas pernas está minha alucinação
Com suas palavras surge minha inspiração
É a sereia que existe e me afoga aos poucos
Possuindo a tatuagem gravada na sua nuca


Nunca fui capaz de olhar em outra direção
Meu olhar foi confiscado por sua sensualidade
Humilhado por suas inúmeras vontades inexatas
Conquistado por suas pernas que me embriagam


Ela tem o sabor que procuro na madrugada
O brilho que ilumina no meio da escuridão
A pele que camufla sua vaidade desvairada
Uma educação que irrita de tanta perfeição


Mas na cama todas as barreiras são rompidas
Os extremos mudam e seguem a intimidade
O gosto do corpo é transmitido pela boca
E o seu cheiro desperta na pele a tentação


Sou escravo dos carinhos sem qualquer medida
Amante sem preocupação com olhares e vozes
Devoto do corpo que alucina os gemidos latentes
Prisioneiro da vontade que tenho na mente ardente.

Escrito por Joffre Cardoso às 02h42
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14/03/2008


Intensa

 


Intensa



Meus sonhos são feitos quando desenho nas nuvens
Tenho a impressão que minha normalidade é anormal
Pois encontro poesia em formas que se espalham no céu
Ou em estrelas que se formam nas madrugadas em branco


Rabisco linhas unindo os cometas que cruzam o espaço
Tenho como problema achar lógica onde não há regras
Contar imagens que se formam em um piscar de olhos
E relatar minhas miragens de uma forma compreensível


Às vezes acho que o meu modo de sentir é exclusivo
Pois as sensações são transmitidas por minha pele
Sem nexo com a realidade que outros olhos relatam
Sigo em passos quando a maioria corre sem sentido


Meus olhos vêem aquilo que não consigo descrever
E se pudesse talvez não fosse tão belo quanto eu vejo
Por isso sonho acordado quando o silêncio me domina
E procuro alguém que possa entender o que eu sinto


Tiro os pés do chão quando meus pensamentos chegam
Sou levado para outro tempo em algum lugar secreto
Onde o limite não é imposto pelas arestas da realidade
E somente lá consigo encontrar meus desejos perdidos


A intensidade é a minha morada nos dias da semana
As emoções estruturam os alicerces de minha história
Sigo sem medo quando o desconhecido se apresenta
Mas recaio toda vez que meu coração entra em lapso


Sou escravo de um sonho que me leva aonde quero
E cobiço lugares que não sei pronunciar corretamente
Acompanho os raios do sol em alguma nova direção
E sempre me perco quando acho que encontrei a rota


Meu caminho é diferente mas continuo sempre em frente
Nos momentos de dúvida olho para as estrelas douradas
Traço alguma linha imaginária entre as curvas do destino
Encontro um norte e prossigo sem ter medo da escuridão


Procuro um castelo que tem o mar como jardim principal
E a verdade que subtraia todas as mentiras que conheço
Em algum momento sei que vou encontrar o meu destino
Mas até lá continuo me sentindo totalmente longe de casa.

Escrito por Joffre Cardoso às 22h58
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05/03/2008


10.000 Visitas

 


10.000 Visitas



Já sorri
Já chorei
Já sonhei
Já desejei


Passei por aqui muitas vezes
Eu mostrei lágrimas e sorrisos
Transformei a dor em palavras
E os meus desejos em verdade


Fui criança por alguns instantes
Adulto inconformado por horas
Pessoa perdida nas madrugadas
Mas aqui eu sempre me encontrei


As palavras mostram minha vida
Idealizam meus sonhos secretos
Contêm as marcas do meu corpo
Expressam os meus sentimentos


Por isso aqui é meu refúgio seguro
Conto minhas verdades e mentiras
Sem o medo de ser julgado culpado
Crendo que nunca serei condenado


Sigo com as frases que se formam
Conhecendo pessoas iguais a mim
Que procuram em um novo mundo
A extensão de seus pensamentos


Compartilho as cores do anonimato
Enxergo brilho nos textos que releio
Sonho como meus amigos escritores
Que têm na veia o vício de escrever


Eu viajo pela mente dos meus leitores
Trago as sensações que eles possuem
Sou incentivado por seus comentários
E muito grato pelas suas 10.000 visitas.

Escrito por Joffre Cardoso às 20h09
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29/02/2008


Para Ser Minha

 


Para Ser Minha



Para ser minha basta me olhar nos olhos
Fazer meu corpo tremer como um terremoto
Sorrir quando a brisa sussurrar ao seu ouvido
Ouvir a música que faz o corpo estremecer


Declamar palavras que me fazem imaginar
Contar uma história sem começo nem fim
Ouvir meus contos infantis e sorrir do nada
Passar o tempo sem se preocupar com hora


Para seguir comigo basta sonhar alto sem medo
Correr no meio da escuridão sem nenhum receio
Abrir os braços quando a chuva cair sem piedade
Entregar o corpo quando a ventania soprar forte


Guiar sem medo de uma curva sem proteção
Caminhar de pés descalços entre as pedras
Ser a pura simplicidade quando for louvada
Sonhar sem aquele medo de ser rejeitada


Para ser minha inspiração basta seguir em frente
Quando tudo ao seu redor parece desmoronar
Nos instantes que a vida teima em fazer testes
Naqueles momentos em que desistir é mais fácil


Crer nas madrugadas que o sonho é pesadelo
Acordar sabendo que o sol irá dissipar o medo
Sorrir para alguém sozinho no meio da multidão
Olhar nos olhos quando escutar com o coração


Para dormir na minha cama basta não ter limites
Saber que o dia pode ser transformado em noite
Que o chão às vezes é a melhor cama concebida
E que a imaginação é o que provoca uma relação


Entender que as palavras fazem o corpo balançar
Que pecado é deixar de sentir o que lhe dá prazer
Abrir o horizonte para novas fantasias imaginadas
Cativando a tentação e o desejo como comunhão


Para completar minha vida basta ser você mesma
Sorrir quando sua vontade estiver transbordando
Ser leve como uma folha levada pelo vento solto
Admirar o som do silêncio que nos deixa íntimos


Sonhar como uma criança sem barreiras impostas
Ter no olhar a crença que a verdade sempre vence
Compreender que destino é o que guia minha história
Acreditar que nesta vida você nasceu para ser minha.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h19
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22/02/2008


Além do Horizonte

 


Além do Horizonte



As nuvens agora estão se dissipando
O sol volta a surgir com traços tímidos
Com um ar de ressaca de uma longa noite
Como se tivesse ficado muito tempo quieto


O horizonte estava coberto pela dúvida constante
Ela continua presente mas sua força está dispersa
Corre sem direção certa e tenta encontrar uma falha
Mas a cada novo passo as brechas vão se fechando


Meus pensamentos agora puxam meu corpo inerte
Sussurrando palavras ao meu ouvido que motivam
As minhas pernas são obrigadas a seguir em frente
Carregando apenas o brilho íntimo de meus olhos


Depois de um tempo sem luz chega à hora de brilhar
Os raios do sol atingem minha face branca pelo tempo
Trazendo a cor que mostra o sabor de uma nova vida
Transformando em paisagem aquilo que era entulho


Os fragmentos que foram deixados pelo caminho
Agora não são mais essenciais na minha história
E no sorriso que brota dentro de um ponto mágico
Busco a verdade escondida por minha fragilidade


A estrada não pode ser perfeita em seu trajeto
Os buracos e as pedras devem estar presentes
Para que o corpo trabalhe e nossa mente viaje
Traduzindo em instinto o que nos traz mais força


Depois de um tempo a tempestade tem que terminar
Os raios vão sumindo e os clarões perdendo a raiva
A escuridão que cobria o céu durante o dia e a noite
Deixa a luz passar por fendas que rasgam o espaço


E nas frestas que se abrem no céu antes sem cor
Consigo encontrar caminhos que me fazem flutuar
Deixando transbordar da pele meus antigos desejos
Que me inspiram a olhar mais firme além do horizonte.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h50
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13/02/2008


Sem Norte

 


Sem Norte



Eu estou me sentindo perdido
Não encontro a direção certa
Caminho em terreno instável
E não vejo mais o horizonte


Os dias passam sem novidade
As horas me aprisionam em um ciclo
Fico rodando em uma confusão interna
Que não consigo encontrar a saída


Os pensamentos divagam em sonhos
Mas algo aqui dentro me deixa pesado
Alguma coisa tira minhas forças
E não consigo fugir da triste rotina


Penso em viagens que nunca fiz
Imagino o clima de outra região
Embarco em imagens de um futuro
Mas não me liberto de minha casa


Recorro a ligações sem importância
Ouvindo vozes que me amedrontam
Sinto o calafrio me corrompendo
E continuo andando sem sentido


Durante a noite o sono não chega
E nas madrugadas em branco
Estruturo mil planos sem noção
Que acabam me prendendo mais


Busco uma mão que me erga
Ou alguma luz que seja meu norte
Mas algo traz uma escuridão sem fim
Fazendo de mim apenas um grão isolado


Fecho os olhos e respiro para ter calma
Coloco meu coração em outras mãos
Entrego meu corpo a outras pessoas
Mas depois do prazer volta minha sina


Meus dias estão cercados por dúvidas
Sei o que desejo mas desconheço a estrada
Caminho sozinho sem conhecer os perigos
Sendo escravo do tempo que me persegue


Procuro o meu norte seguindo para sul
As nuvens cobrem o sol que me orientava
Uma chuva cai me deixando sem a visão
Mas ainda sigo atrás de uma estrela no céu.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h04
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08/02/2008


Casa Nova

 


Casa Nova



Eu a trouxe de olhos vendados por um novo caminho
As ruas não eram mais barulhentas como antes
O aroma que circulava era diferente
Ela logo notou embora permanecesse calada


Após algum tempo de espera chegamos
Desceu do carro e caminhou devagar
Ela tirou os sapatos para poder sentir o chão
Mas preferiu não ver nada até chegar à hora


Os seus passos eram curtos e vagarosos
Com um sorriso que tocava meu corpo como o vento
Eu a seguia de longe em silêncio apenas admirando
Foi a cena mais brilhante que vi nos últimos tempos


Quando chegou ao primeiro degrau da porta
Eu a segurei com carinho em meus braços
Liberei com delicadeza sua visão
E nossos olhos se perderam entre lágrimas


Quando ela abriu a porta reconheceu os móveis
Eram os mesmos que me confessou que desejava
Gravei em minha mente seus sonhos juvenis
Cada pedaço que ela me contou eu encontrei


Caminhou entre os vários cômodos
Passou rápido em alguns
Demorou em outros sem explicação
Cada passo era uma nova descoberta


Ao final de seu passeio de menina curiosa
Veio me abraçar como se quisesse me sufocar
Minha vontade naquele instante foi perder o ar
E congelar aquele momento em minha lembrança


Fomos aos poucos nos conhecendo de novo
O beijo se tornando ardente no início da noite
Minhas mãos deslizando por suas costas nuas
Minha boca redescobrindo o corpo adormecido


O toque suave se transformando em confidente
A respiração ficando ofegante entre os gemidos
O ar de prazer marcando as paredes imóveis
Finalizado em um último suspiro de desejo


Aquele foi o momento de minha mudança
Entre coisas de crianças e confissões de adultos
Em uma casa nova construí minha única vida
Ao lado de quem desejei em meus dias de sonho.

Escrito por Joffre Cardoso às 04h21
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28/01/2008


Vento

 


Vento



O vento ainda continua parado
A minha vida presa no passado
Atrás de promessas obscuras
Fiquei vendo o tempo passar


Corria tentando encontrar algo
Por vezes simplesmente sorria
Sem aceitar o que me agredia
Fiquei vendo o tempo passar


Meu corpo permaneceu inerte
A mente presa na alma parada
Criei raízes em um solo infértil
Fiquei vendo o tempo passar


A tempestade levou os sonhos
A areia cobriu a antiga estrada
O que me fez andar sem rumo
Fiquei vendo o tempo passar


Minha verdade era a fantasia
Que criei na minha esperança
Imaginando um sonho perfeito
Fiquei vendo o tempo passar


Em algum momento perdido
Miragem e verdade se uniram
Acreditava no que não existia
Fiquei vendo o tempo passar


Meus olhos estavam fechados
E a escuridão trouxe um mundo
Perfeito na sua pura incerteza
Fiquei vendo o tempo passar


Deixei de sentir o calor ardente
O corpo foi esfriando lentamente
Um labirinto se formou em mim
Fiquei vendo o tempo passar


Mas aquele vento há de voltar
Para purificar meu pensamento
Fazer com que eu veja as estrelas
E não fique vendo o tempo passar.

Escrito por Joffre Cardoso às 05h57
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21/01/2008


Dias

 


Dias



Os dias ficam mais lentos que o de costume
A rotina parece mais mordaz a cada segundo
Quando a espera me caça eu não escapo
Fico imóvel e o tempo parece retroceder


Faço jogo de palavras e invento histórias
Mas a hora não passa parece contrair
Uma prisão se forma ao meu redor
E a única coisa que posso fazer é esperar


Minhas asas imaginárias estão presas
Algo me segura no chão e não posso voar
Embora minha vontade seja sair da atmosfera
Permaneço amordaçado esperando o sinal


O sangue circula com uma maior pressão
Minhas contrações e espasmos são sem ritmo
Entre a espera e a partida fico cercado
E conto os dias para ter a resposta certa


Sei os segundos que ainda me faltam
As noites que ainda preciso dormir
Os dias que tenho que aguardar
Mas só olho para a hora que espero


Lembro de alguns momentos que vivi
Das partes que a dificuldade me dominou
Daquelas manhãs que levantei sem vontade
Mas isso caminha para um passado distante


A tempestade está próxima do final
As rajadas e trovões estão mais calmos
Posso olhar ao longe o céu azul sem nuvens
Mas a espera continua mantendo minha inquietude


Consigo sentir o cheiro da recompensa
Quase posso tocar a face de minha felicidade
Sinto os calafrios e arrepios da ansiedade
Minha mente viaja mas o corpo permanece parado


Sou o escravo de meus dias de espera
A liberdade ainda é um sonho possível
Mas vivo as horas que tenho que aguardar
Esperando o momento certo para poder voar.

Escrito por Joffre Cardoso às 17h31
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17/01/2008


Perdido no Mar

 


Perdido no Mar



Quando o último raio de sol partiu
No momento que a lua surgiu longe de mim
Meu corpo seguiu sem destino certo
Fui levado por algum instinto insensível


Jogado distante de meu porto seguro
Arremessado em um lugar que não conhecia
Minhas pernas tomaram as rédeas
E meu caminho só podia seguir para o mar


O som da água sob o areia fina me atraía
Sentia a maresia que me desgastava
Meus pés tocaram aquela terra fria
E lembrei de meu primeiro mergulho


As lembranças voavam por minha mente
Era lançado por cenas imaginárias
Passando por fotografias que não lembrava
Saboreando o tempero perdido no tempo


Eu continuei seguindo aquela vontade
Que dominava minhas outras necessidades
Quando a água inundou meus dedos
Uma paz começou a invadir meu ser


Fechei os olhos e caminhei lentamente
A cada pequeno passo uma nova lembrança
Do tempo que não possuía medo de nada
Da época em que o escuro não me assombrava


Quando o mar cobriu meu peito fiquei sem ação
Meus braços estavam soltos como se pudesse voar
O peso que carregava foi dissolvido na maré
A sensação que me segurava eu não entendia


Fui transformado em uma ilha deserta
Cercado de água longe da terra firme
Mas aquela solidão foi a sorte de minha história
Pois somente perdido no mar consegui me encontrar.

Escrito por Joffre Cardoso às 01h11
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15/01/2008


Apenas Para Tentar Compreender

 


Apenas Para Tentar Compreender



Então o desejo acabou
O sonho foi desfeito
A paixão esquecida
O mundo perdido
E a vontade saciada


Então as direções mudaram
A esperança se desfez
A união foi corrompida
E a verdade amordaçada


Então tudo que era destino
Foi tido como imperfeito
E os traços e caminhos
Que já estavam traçados
Hoje estão inundados


A noite não é mais a mesma
Os pesadelos são constantes
As nossas bocas agora são mudas
E nossos sentimentos são desfeitos
Assim como sempre deveria ter sido


Então a dúvida acabou e você fraqueja
Eu pensei que fosse tudo e que o passado
Havia sido esquecido e enterrado
Mas a areia se move e o ferimento
Volta a se abrir como era antes


Não há espaço para o depois
Apenas para o que veio antes
E todo o esforço foi desnecessário
Se a única coisa que pode existir
É um outro sentimento em sua vida


Meu talento desprezado
Minhas tolices confirmadas
Das verdades que acreditei
Apenas a necessidade da mentira
Apenas o descaso do perecível


O sonho não foi longe
Foi fiél enquanto pôde
E o passado volta a se repetir
A verdade fica trêmula
E a esperança é derrotada


A vontade por mim foi insuficiente
E minha lealdade ausente
Ausência que causa dor
Mas que supre a virtude da verdade
E mesmo que esta verdade seja triste
É a única que pode construir meu mundo


E desta forma acaba o conto da princesa e do poeta
O poeta sonhador e sua princesa humana e realista
Um poeta que ousou demais para ter a certeza
E foi infantil demais para acreditar que os sonhos
Um dia ainda podem ser possíveis e realizáveis


Mas as lágrimas não foram solitárias
Por momentos acreditaram que tudo estava certo
E mais uma vez como nos contos infantis
Chega a surpresa e acaba com a história


Espero que assim o final tenha sido feliz
E que não existam mais histórias como esta
Para que as crianças que a ouvirem
Não fiquem tristes como o poeta ficou.

Escrito por Joffre Cardoso às 21h49
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04/01/2008


Divisão

 


Divisão



Tem dias que acordo e o corpo teima em ficar quieto
Parece que o sangue não quer mais circular pelas veias
As artérias param de pulsar como se ainda tivesse dormindo
Não sinto os raios da manhã que tocam o meu rosto estarrecido


Não recordo os detalhes da noite passada em branco
Mas sei que devo ter pronunciado alguma palavra sem nexo
Pois quando olho para o lado só vejo seu corpo distante do meu
Como se procurasse uma saída inexistente na minha cama pequena


Fecho os olhos e tento lembrar como cheguei em casa
Respiro profundamente para sentir o cheiro que me cerca
Mas a lembrança insiste em ficar escondida em alguma parte
Talvez você possa me ajudar quando o cansaço lhe deixar acordar


Permaneço dividido entre os meus pecados e você
Preso em algum labirinto que não consigo achar a saída
Fico circulando durante a noite buscando alguma fenda perdida
Mas quando chega a madrugada acabo dormindo sem uma resposta


Sua presença é um marco indecifrável no momento
Que transcorre do riso para o choro em poucos instantes
Sufocando sentidos que trago escondidos no meu pensamento
Quebrando parte de minhas asas e me deixando acorrentado no chão


Não sou alguém que vive com os pés em terra firme
O céu me convida para meus sonhos que só eu entendo
Estou amarrado em algo maior do que eu mesmo posso saber
Então não use palavras simples para tentar explicar os meus defeitos


Quando chego em casa e lhe encontro ganho o dia
Nos segundos que vejo seu corpo desnudo tenho a vida
Mas nas horas em que você simplesmente permanece ausente
Eu não busco razões para lhe afastar e encontro frases para lhe buscar


Pare de usar as palavras certas nas horas erradas
Prefira saber as coisas erradas em algum momento certo
Esqueça os dias que não lembro as datas que nos marcaram
Tente achar boas lembranças toda vez que você quiser nossa divisão.

Escrito por Joffre Cardoso às 15h03
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28/12/2007


Cadeira de Balanço

 


Cadeira de Balanço



Quando a vi sentada em sua cadeira
Não pude tirar meus olhos do seu semblante
Seu olhar estava fixo no horizonte
Parecendo buscar algo que lembrasse o passado


Sua pele não era mais como antes
As marcas que deixavam amostra seus anos
Eram traços profundos que denotavam caminhos intensos
Que podiam demarcar cada ano vivido


Em algum momento nossos olhos se cruzaram
Senti algo percorrer meu corpo inteiro
Como se tivesse tentando me falar algo em silêncio
Mas não consegui entender o que era


Com uma voz doce perguntou meu nome
Quase sem ação respondi com uma palavra
Fiquei perdido quando ela me olhou
E não conseguia falar nada mais


Pensei em seus anos de juventude
Onde a memória ainda não tinha sido consumida
Imaginei o tempo de moça sem os filhos
Sem o ar pesado que agora inclinava seus  ombros


Viajei para o passado em minha mente
Como era o desenho que marcava seu corpo
Quando foi roubado seu primeiro beijo e abraço
Em que dia ela deixou de ser menina e se tornou mulher


As perguntas surgiam sem que eu pudesse responder
Se conseguisse perguntar eu faria sem pensar
Mas naqueles segundos eu perdi minha coragem
As palavras que dançavam através de mim sumiram


Não sei o que me deixou preso naquele dia
Mas quando vi aquela senhora em frente a sua porta
Com seus embalos em sua antiga cadeira de balanço
Fui hipnotizado pelo passado e recordações


A memória trouxe a minha infância perdida
Onde a inocência era algo que todos possuíam
Eu olhava para uma mulher sem segundas intenções
E trazia no peito apenas meus pensamentos tímidos.

Escrito por Joffre Cardoso às 03h44
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24/12/2007


Natalina

 


Natalina



Quero ganhar um presente que se chame Natalina
Conhecer suas manias e desvendar suas histórias
Ter mais do que uma simples noite para conversar
Poder tocar o rosto e sentir o cheiro quando quiser


Apreciar a beleza que se forma no mês dezembro
Emoldurar sua imagem sobre uma forma de canto
Sentir sua ternura em algum local de pura mágica
Ruborizar seu rosto quando meu olhar a perseguir


Mas não quero que fique embaixo da minha cama
Não precisa chegar devagar e entrar pela chaminé
O que peço é que preencha o vazio que me enche
Que traga novas curvas para eu descobrir sozinho


Não é necessário que venha em papel de presente
Ou arrumada em um belo laço de fita cor vermelha
Os enfeites e caixa dourada podem estar ausentes
Mas o conteúdo tem que me deixar sem respiração


Desejo que o perfume preencha os meus sentidos
Que a tonalidade da pele me faça sentir falta de ar
Fazendo com que meus instintos sejam aguçados
Toda vez que meus olhos cruzarem pelo seu olhar


Quero receber uma luz que tenha forma de mulher
Com pernas que passem e me deixem embriagado
Exalando a sensualidade ao balançar o seu cabelo
Com o carisma que satisfaz após o simples sorriso


Imagino uma boca carnuda com o sabor indecente
Onde a comunhão com sua face é mera obrigação
O busto ultrapassando as arestas dos meus dedos
Incitando alguma miragem com a mulher desejada


O seu corpo esculpido por algum artista imaginário
Foi inspirado em uma de minhas fantasias secretas
Com os detalhes que desvendam os meus desejos
Criando em mim uma dependência clara e imediata


Mas a sua beleza interior é seu verdadeiro segredo
Com um brilho que se instala no seu rosto angelical
Unindo nesta mulher um gosto de amor e de desejo
Essa mulher é o presente que eu quero neste Natal.

Escrito por Joffre Cardoso às 16h37
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BRASIL, Nordeste, NATAL, Homem, de 26 a 35 anos
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